Eleições americanas têm votação antecipada recorde no exterior

César Muñoz Acebes. Washington, 2 nov (EFE).- Centenas de milhares de americanos de diversas partes do mundo já enviaram seu voto para as eleições de terça-feira, na qual se prevê uma participação recorde de residentes em outros países.

EFE |

Fico feliz em poder participar, "porque durante muitos anos a política dos Estados Unidos me envergonhou quando estive no estrangeiro", disse de Londres Christopher Humphrey, um estudante de doutorado de 41 anos.

"Pela primeira vez sinto um pouco de orgulho" de votar, declarou Humphrey, que declarou que optou pelo candidato democrata, Barack Obama.

No México, Larry Rubin apóia o republicano John McCain, por sua política de segurança, imigração e defesa ao livre-comércio.

"Com Obama", os EUA se tornariam um país "protecionista", disse Rubin, de 34 anos, que co-preside uma organização de republicanos na América Latina.

O México é o país em que reside o maior número de americanos (1,2 milhão), seguido pelo Canadá.

Entre seis e sete milhões de americanos fora de seu país podem votar nas eleições de terça-feira, segundo Chip Levengood, presidente da junta administrativa da Overseas Voting Foundation.

Desse total, cerca de dois milhões deverão participar, de acordo com os cálculos da organização, o que seria um recorde.

"É óbvio que há um interesse muito, muito alto no exterior", disse Levengood, que trabalhou durante 15 anos no banco de investimento JP Morgan em Madri e agora está aposentado.

Uma evidência disso foi um ato convocado pelas organizações republicana e democrata na Espanha para a população assistir ao primeiro debate presidencial na Casa da América, para o qual os ingressos se esgotaram e onde houve filas para entrar, relatou Levengood.

Informações sobre os candidatos não faltam, dada a grande atenção que este pleito despertou em todos os cantos do mundo.

Em Acra, capital de Gana, basta ligar o rádio e "sempre se fala das eleições nos EUA", disse Deepa Ramesh, de 37 anos, que trabalha para um programa de ajuda de seu Governo.

Sinto orgulho de "dizer que posso votar, inclusive se estou fora" do país, disse.

Em Dire Dawa, a segunda maior cidade da Etiópia, David Machledt usa as eleições para quebrar o gelo com os motoristas de táxis e outros passageiros.

Digo que sou americano e grito "Obama". O grito de seu nome "sempre provoca o riso e mais conversa. Se cria uma sensação instantânea de acordo entre todos", explicou Machledt.

Os cidadãos do resto do mundo apóiam majoritariamente Obama, segundo diversas pesquisas, mas não há dados sobre a inclinação dos americanos que vivem entre eles.

Para muitos, é importante o impacto do novo presidente nas relações dos EUA com o país onde vivem. Também predomina um desejo de melhorar a imagem de sua pátria no exterior, que está abalada com a Presidência de George W. Bush.

Esta eleição é especialmente importante "pelas guerras nas quais lutamos e porque nossa reputação está denegrida no mundo todo", disse Machledt.

Nem todo voto do exterior tem o mesmo peso, como também ocorre dentro dos EUA. As cédulas que chegam a estados onde um partido domina - republicanos no Texas ou democratas em Nova York, por exemplo - têm um impacto mínimo.

Por outro lado, nos estados mais disputados, cada voto pode fazer a diferença. A eleição de 2000 foi decidida por uma pequena porcentagem de votos na Flórida e a de 2004 por pouco mais de 100 mil em Ohio.

Essa experiência convenceu especialmente aqueles que vivem nos estados mais disputados sobre a importância de sua participação, segundo Rubin.

Outros, como Humphrey e Ramesh, sabem que sua participação conta pouco, pois ambos estão registrados em Washington, onde os democratas levam tradicionalmente cerca de 90% dos votos.

No entanto, já enviaram seu voto porque são conscientes da importância do pleito da próxima terça-feira não só para seu país, mas para todo o planeta. EFE cma/ab/rr

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