Eleição presidencial será disputada entre primos nas Filipinas

Carlos Santamaría. Manila, 19 fev (EFE).- O papel das dinastias na política das Filipinas coloca frente a frente dois candidatos à Presidência que são unidos por laços de sangue, dois primos que pertencem a ricas e poderosas famílias do país se enfrentarão nas urnas.

EFE |

Benigno "Noynoy" Aquino, favorito nas pesquisas para a eleição de 10 de maio, é partidário de uma lei que impeça os clãs de aproveitarem-se do sistema atual de perpetuação no poder, apresentado outros membros da família ao posto quando líder esgotar seu mandato.

"As regras do jogo devem ser as mesmas para todos, embora não se deve prejulgar ninguém pelo seu sobrenome", afirma o senador, quem para alguns analistas não tem mais bagagem política que seus falecidos pais, a ex-presidente Corazon Aquino e Benigno "Ninoy" Aquino, antigo líder da oposição à ditadura de Ferdinand Marcos.

Seu primo Gilberto Teodoro se opõe e aposta por em medidas legislativas que fortaleçam os partidos frente às dinastias que habitualmente os financiam.

"A melhor forma para vencer os clãs é derrotá-los nas eleições", responde o ex-ministro da Defesa, muito afastado nas pesquisas de Aquino.

Teodoro se queixa que a Comissão Eleitoral impede os partidos de utilizar na campanha mais de cinco pesos (US$ 0,10) por eleitor na circunscrição, o que em escala nacional significa uma quantia de 250 milhões de pesos (US$ 50 milhões).

A imposição do limite favorece a fraude, as doações irregulares em troca de favores e coloca na disputa candidatos abastados, como o senador Manny Villar, um dos homens mais ricos do país.

Essa situação beneficiou Teodoro, quem ao assumir dois anos atrás o ministério da Defesa cedeu a cadeira de deputado a mulher Nikki, quem agora quer revalidar o cargo no pleito.

Aquino e Teodoro são primos pelo lado dos Cojuangco, um poderoso clã de origem chinesa que sempre exerceu uma enorme influência sobre os líderes políticos do arquipélago.

Eduardo "Danding" Cojuangco, um amigo próximo de Ferndinand Marcos que acumulou uma grande fortuna graças ao apoio do regime, fracassou na sua tentativa de conquistar a Presidência em 1992, mas agora controla um dos principais impérios empresariais das Filipinas e preside San Miguel, a maior companhia agroalimentar do Sudeste Asiático.

Ele também dirige a coalizão nacional popular, na qual militava Teodoro até que elegeu a Villar na frente dele como sua aposta para a Presidência.

O herdeiro da atual presidente, Gloria Macapagal Arroyo, tomou como ofensa pessoal e deixou o partido de seu tio. Por isso, não apoia neste pleito nem ele e nem Aquino, que acusa Danding de ter ordenado em 1983 o assassinato de seu pai ao retornar do exílio para proteger Marcos.

Disputas como estas ilustram o caráter paternal da política das Filipinas, onde "tudo fica em família" e é a mesma oligarquia de clãs que distribui o poder desde a independência e nunca o entregará porque tem o sistema eleitoral a seu favor.

Graças a esse engano, sagas como as dos López (Iloilo), Osmeña (Cebu), Roxas (Capiz) e Singson (Ilocos Sul) levam décadas governando seus redutos.

A Constituição estabelece em seu artigo 2º que "o Estado garantirá igualdade de oportunidades no acesso a cargos públicos e proibirá às dinastias políticas definidas como tais pela lei".

Mas o texto não saiu do papel, pois dois terços dos legisladores e até seis dos nove candidatos a presidente são membros dessas famílias nas Filipinas, o que configura plutocracia de fato, pelo fato de unir dinheiro e poder político. EFE csm/dm

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