Eleição presidencial no Peru ocorre com tranquilidade

Milhões de peruanos vão às urnas para escolher novo líder em uma das disputas mais acirradas da história recente do país

iG São Paulo |

As eleições presidenciais do Peru ocorrem em clima de tranquilidade neste domingo, quando 20 milhões de peruanos devem ir às urnas para para escolher o futuro presidente do país e a composição do novo Parlamento.

As urnas foram abertas às 8h no horário local (10h de Brasília) e a votação, considerada uma das mais disputadas da história recente do país, será encerrada às 16h (18h de Brasília). Todos os principais candidatos já votaram e nenhum incidente sério foi registrado até agora.

AFP
Mãe carrega bebê ao votar em Lima, capital do Peru

Na corrida presidencial, o candidato nacionalista Ollanta Humala aparece como o favorito para ir ao segundo turno. A segunda vaga está sendo disputada voto a voto, em um virtual empate técnico entre os candidatos conservadores Keiko Fujimori , filha do ex-presidente Alberto Fujimori, o ex-presidente Alejandro Toledo (2001-2006), e seu ex-ministro de Economia Pedro Pablo Kuczynski.

Quem sair vitorioso do processo eleitoral que começa neste domingo herdará um país com uma economia relativamente estável, mas com uma acentuada dívida social.

A economia do Peru cresceu a uma média de 7% nos últimos anos, o maior crescimento registrado na região, graças à alta dos preços dos minerais, uma das bases de sua economia. García fortaleceu a tendência econômica primária-exportadora, com uma política voltada à ampliação do livre comércio e de atração a investimentos estrangeiros.

Por outro lado, o crescimento da economia não trouxe uma redução da brecha social entre ricos e pobres. Cerca de um terço dos cerca de 30 milhões de peruanos vive na pobreza. No campo, esse índice supera 60% da população.

"A desigualdade social aumentou. A maior parte da população vê que há geração de riquezas, mas que não chegam até elas", afirmou à BBC Brasil o sociólogo David Sulmont, professor da Universidade Católica do Peru. "A economia cresceu mais do que o bem-estar da população."

Para Lorena Alcazar, do Grupo de Análise para o Desenvolvimento (GRADE), o principal desafio do novo presidente será diminuir a brecha social que, a seu ver, gera tensão, em especial nas classes populares. "O Estado precisa desenvolver políticas sociais e reformas de primeira e segunda geração para superar as desigualdades. Isso significa gastar mais e administrar melhor esses recursos", afirmou.

AP
Favorito, Ollanta Humala faz sinal ao votar em Lima

O analista Fernando Tuesta, diretor do Instituto de Opinião Pública (IOP) da Universidade Católica do Peru, questiona, ainda, a sustentabilidade do atual modelo econômico, que tem sido elogiado pelos principais candidatos presidenciais.

Para Tuesta, García incrementou a dependência da economia peruana, no lugar de apostar na diversificação. "Se, com essa dívida social acumulada, entrarmos em um novo período no qual os preços (das matérias-primas) deixariam de ser favoráveis, a situação poderia se complicar." 

Interesses brasileiros

As empreiteiras brasileiras veem o Peru como um polo importante de investimentos. Brasil e Peru assinaram acordos para a construção de seis hidrelétricas, cujo investimento total pode alcançar US$ 16 bilhões. 

Outro grande projeto de infraestrutura que envolve os dois países é a construção da rodovia interoceânica, que permitirá ao Brasil uma saída ao Pacífico. Essa obra, que já teve um ramo inaugurado no ano passado, é executada pela Odebrecht, uma das empresas brasileiras com maior presença no país andino.

Durante a campanha, as empresas também evidenciaram suas preferências e apareceram como uma das principais financiadoras da campanha do ex-presidente Alejandro Toledo. As empreiteiras Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e Camargo Correa doaram pouco mais de US$ 300 mil à campanha de Toledo.

"O Brasil quer se consolidar cada vez mais como líder regional, não só no político, como também na economia. A expansão das empresas brasileiras pela região e no Peru é um sinal disso", afirmou David Sulmont, da Universidade Católica do Peru.

Parlamento

De acordo com pesquisas e especialistas, nenhum candidato presidencial conseguirá obter apoio da maioria das 130 cadeiras na composição do novo Parlamento, o que deve obrigar o vencedor a formar um governo de coalizão. Analistas veem como uma aliança natural a coalizão dos partidos de centro e direita. Caso Humala confirme seu favoritismo, terá de negociar com essas correntes políticas, mesmo antes do segundo turno, e flexibilizar parte de seu projeto de governo.

De acordo com as pesquisas de intenção de voto, estão na frente parlamentares do partido Peru Possível, de Toledo, e o Força 2011, de Keiko Fujimori, com percentuais entre 18 e 20%. A aliança Ganha Peru, de Humala, conseguiria a terceira votação parlamentar em importância (17%).

Seguem-se, no quarto lugar, a Aliança para a Grande Mudança, de Kuczynski, seguido do Solidariedade Nacional (do ex-prefeito de Lima, Luis Castañeda) e do governista oficialista APRA.

Cerca de 150 observadores internacionais, incluindo a Organização de Estados Americanos (OEA), acompanharão as eleições peruanas. O voto no Peru é obrigatório.

Com BBC e Ansa

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