Eleição para cadeira de Ted Kennedy ameaça promessas de Obama

A reforma de saúde e outros grandes planos do governo dos EUA estarão na berlinda se o Estado de Massachusetts eleger nesta terça-feira um republicano para a cadeira do senador Ted Kennedy, o que quebraria a maioria democrata no Congresso.

EFE |

Desta maneira, o futuro da reforma de saúde depende do assento que ocupou durante décadas o lendário senador, falecido em agosto passado, e que foi paradoxalmente um dos principais incentivadores desta iniciativa.

O presidente americano, Barack Obama, se envolveu pessoalmente na campanha crucial de Massachusetts, um Estado que nos últimos 70 anos esteve representado no Senado por um membro do clã Kennedy.

Se os eleitores deste Estado elegem amanhã o candidato republicano Scott Brown no lugar de seu adversário, Martha Coakley, os democratas perderão as 60 cadeiras que precisam para aprovar leis no Senado sem temer o veto dos republicanos.

Atualmente, os legisladores americanos trabalham na dura tarefa de harmonizar as duas versões da reforma de saúde aprovada na Câmara de Representantes e no Senado no fim do ano passado.

Se perderem as 60 cadeiras, os democratas serão obrigados a ceder às exigências dos republicanos e atenuar ainda mais o projeto de reforma, do qual já foram eliminados alguns elementos importantes, como a criação de um seguro de saúde público.

"Muitas iniciativas legais vão depender de um só voto no Senado dos EUA", disse Obama aos eleitores de Massachusetts em um comício eleitoral realizado no domingo passado, consciente que a reforma do sistema de saúde e outras de suas promessas eleitorais poderiam ficar travadas na câmara alta se perder esta eleição.

O segundo senador que representa este Estado na Câmara Alta, o democrata John Kerry, foi além, ao afirmar que as eleições de amanhã "vão determinar o equilíbrio de poder" nos Estados Unidos.

As pesquisas não são animadoras para os democratas, pois a maioria aponta que Brown supera em intenções de voto a Coakley, com uma diferença entre cinco e dez pontos.

Trata-se de uma situação estranha para um Estado profundamente liberal que não votou em um senador republicano desde 1972.

Uma vitória republicana, independentemente do efeito que tenha na divisão do poder no Senado, seria um mal precedente para os democratas diante das eleições legislativas que serão realizadas no próximo mês de novembro.

Os analistas políticos acreditam que levando em consideração que em Massachusetts só um em cada oito eleitores se confessa um republicano, uma vitória de Brown revelaria uma forte transposição dos eleitores independentes rumo ao partido da oposição.

Seria a terceira derrota para os democratas nos últimos meses, após as eleições para o governador de Nova Jersey e da Virgínia.

Olhando por esse panorama, as eleições legislativas de novembro podem ser tornar um desastre para os democratas, dois anos depois da vitória histórica de Barack Obama, que ganhou com um forte respaldo popular.

Outros observadores fazem uma leitura mais profunda da situação e consideram que, dado o envolvimento pessoal do presidente na campanha, com comícios eleitorais e anúncios na televisão, uma derrota democrata seria uma rejeição a sua gestão.

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