Eleição na Austrália pode dividir o Parlamento

Na disputa mais apertada em décadas no país, analista prevê que nenhum partido conseguirá maioria para formar governo

Reuters |

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A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, do Partido Trabalhista, acena para partidários em Melbourne
O Partido Trabalhista lidera, com pequena vantagem, as eleições mais disputadas em décadas na Austrália, mas um conceituado analista prevê que dificilmente um dos partidos principais conseguirá a maioria necessária para formar o governo.

Anthony Green, da rede de TV ABC, um dos principais analistas do país, prevê que os dois principais partidos terão em torno de 70 cadeiras; seis a menos do que o necessário para que a primeira-ministra, Julia Gillard, mantenha o controle na Câmara dos Deputados. Isso significa que, pela primeira vez desde a Segunda Guerra Mundial, haverá um Parlamento sem maioria. Green projetou que dois independentes e um parlamentar do Partido Verde manterão o equilíbrio do poder.

Dados oficiais, depois da apuração de dois terços dos votos, contabilizam 60 cadeiras para os Trabalhistas contra 50 para a coalizão conservadora Liberal-Nacional, liderada por Tony Abbott. Para formar um governo, são necessárias 76 cadeiras. A votação apertada levantou preocupações nos mercados sobre a possibilidade de se formar um governo de minoria, impopular para os investidores.

"Acho que vamos ter de esperar para ver o que os números dizem nos próximos dias", disse o vice-primeiro-ministro e tesoureiro, Wayne Swan, recusando-se a especular sobre a possibilidade de um Parlamento dividido.

O ministro das Relações Exteriores, do Partido Trabalhista, Stephen Smith também disse que as eleições estavam apertadas. "Tudo tem de dar muito certo para nós, para que tenhamos as 76 cadeiras, no final."

Não é apenas o futuro político da primeira-ministra Gillard e o de Abbott, da oposição, ambos líderes novos e pouco testados, mas também os planos do Partido Trabalhista de criar um imposto de 30% dos recursos e uma rede de banda larga de US$ 38 bilhões que estão em jogo.

Suri Ratnapala, professor de direito da Universidade de Queensland, disse que o Partido Trabalhista terá uma chance de formar o governo. "Presume-se que o candidato à reeleição deve ter o direito de formar o governo, se for possível", disse Ratnapala.

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O líder do Partido Liberal da Austrália, Tony Abbott, beija sua mulher, Margie, durante evento com partidários em Sydney
"Se o líder do partido que tenta formar um governo chega a um acordo com membros independentes, normalmente não haveria necessidade de um voto de confiança no governo", disse. Os australianos de todos os cantos do país fizeram fila para votar.

O mercado financeiro tremeu na sexta-feira diante da perspectiva de que nenhum dos principais partidos teria votos suficientes para formar o governo - um resultado que pode levar o dólar australiano a cair e, possivelmente, resultará em um impasse político e paralisação dos investimentos.

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