Eleição esquenta no Chile com troca de farpas entre os candidatos

Santiago do Chile, 15 dez (EFE).- Faltando dois dias para a eleição presidencial, a temperatura eleitoral subiu hoje no Chile, onde os candidatos trocaram acusações de intervencionismo e campanha suja, enquanto mais de 8 milhões de eleitores meditam sobre a quem confiar o voto.

EFE |

Embora legalmente o período de propaganda tenha terminado a meia-noite de quinta-feira, os candidatos continuam concedendo entrevistas e aparecendo em locais públicos.

Sebastián Piñera, candidato da oposição e favorito nas urnas, denunciou um "abusivo" intervencionismo do Governo em favor do governista, Eduardo Frei, que contra-atacou acusando este de estar fazendo a "campanha suja" da direita.

"A campanha feita pelo Governo de intervenção não é justa, não é limpa", afirmou Piñera em declarações à "Rádio Cooperativa", ocasião em que pediu que a contagem de votos "seja limpa e transparente".

"É abusivo o que fez o Governo: usou e abusou dos recursos públicos, usou e abusou das instituições públicas, usou e abusou inclusive dos funcionários públicos", ressaltou Piñera, que no primeiro turno de 13 de dezembro obteve 44,03% dos votos contra um 29,60% de Frei.

Essa ampla diferença, no entanto, se diluiu nas últimas semanas para 1,8 pontos percentuais, conforme as últimas pesquisas, por isso que os analistas concordam que a definição será voto a voto no próximo domingo, o que explica também o clima entre os candidatos tenha subido de tom.

A acusação de intervencionismo foi diretamente dirigida ao Palácio da Moeda (palácio do Governo), após as declarações da presidente Michelle Bachelet, quem em entrevista na quinta-feira disse que votaria em Frei porque ele é "uma pessoa honesta, que separou negócios de política".

A direita interpretou a frase como um ataque direto a Piñera, dono de uma fortuna calculada em US$ 1 bilhão, o que serve para que os opositores possam dizer que até agora ele não separou o homem de negócios do aspirante a presidente.

"Antes de 11 de março (quando o novo presidente assumirá o cargo) vou vender algumas empresas para poder dedicar-me à vocação da minha vida, que é ser um muito bom presidente", afirmou hoje Piñera, que considerou "uma asneira" ter de estabelecer um prazo para se desvincular dos negócios.

No Palácio da Moeda, o ministro do Interior, Edmundo Pérez Yoma, pediu que Piñera "deixe o povo decidir tranqüilo" e considerou que as acusações de intervencionismo durante a campanha buscaram "imobilizar o Governo".

Pretendem "que não possamos expressar opiniões, mas somos atores políticos e queremos continuar assim", ressaltou Pérez Yoma.

O comando de Piñera acusou Frei de ter mantido também atividades empresariais paralelas à política e até de ter realizado reuniões com acionistas em sua casa durante o seu Governo (1994-2000).

"Há 25 anos deixei os negócios pelo serviço público. Desde a campanha de 1994 tenho demonstrado que não há operações com ações; até o momento não provaram nada, tenho meus fundos em depósitos a prazo e minhas propriedades estão todas nas declarações no Congresso", especificou Frei.

"O candidato da direita prometeu vender suas empresas, mas não o fez e segue administrando seus negócios, aqui há um conflito de interesses", acrescentou o ex-presidente, que recentemente revelou que seu patrimônio é de US$ 4 milhões.

No que Piñera e Frei sempre concordaram foi em prever uma eleição apertada, por isso que o primeiro pediu que no domingo "os votos sejam contados de forma limpa e transparente", embora tenha dito estar convencido que ganhará "de forma forte e clara".

No Chile, a última vez que a direita ganhou uma eleição presidencial foi em 1958, com Jorge Alessandri Rodríguez. EFE ns/dm

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