Eleição em Honduras divide líderes em Cúpula Ibero-Americana

As divergências sobre as eleições em Honduras e as tensões provocadas no continente sul-americano pela expansão da presença militar americana na Colômbia devem dominar as reuniões desta segunda-feira na Cúpula Ibero-Americana, em Cascais, Portugal.

BBC Brasil |

As eleições de Honduras dividem os 15 líderes dos países do grupo entre os que se aproximam da posição norte-americana, de acatar os resultados da eleição, e a posição brasileira, de não reconhecer o pleito.

Os norte-americanos procuram utilizar as eleições em Honduras, realizadas no domingo, para considerar a questão como resolvida. O Brasil não aceita soluções que não passem pela volta do presidente deposto Manuel Zelaya ao poder.

O ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, reconhece as dificuldades no relacionamento entre os países: "Esperamos que a realização desta cimeira num momento de grandes tensões internacionais fortaleça as relações dentro deste espaço, permita gerir uma agenda ambiciosa no plano econômico, social, cultural e no plano estratégico independentemente do tema em si, que é de grande atualidade".

Lula

Lula desembarcou em Portugal na noite de domingo. Ele perdeu a cerimônia de abertura, no domingo, realizada em Lisboa, e só participará das reuniões de segunda e terça, que ocorrem em Cascais.

Dos 23 países do espaço ibero-americano, apenas 15 presidentes estarão presentes nesta 19ª reunião ibero-americana. Além de Honduras, que estará de fora por seu governo de fato não ser reconhecido, Evo Morales, da Bolívia, e Tabaré Vazquez, do Uruguai, deram como razão para faltar o fato de seus países estarem em processos eleitorais.

Não virão a Portugal Raúl Castro, de Cuba, Daniel Ortega, da Nicarágua, Fernando Lugo, do Paraguai, e Alvaro Colom, da Guatemala.

Já o venezuelano Hugo Chávez - que afirmou há duas semanas que não pretendia estar na mesma sala que o presidente colombiano, Alvaro Uribe - não confirmou presença, mas pode aparecer de última hora.

Foi na cúpula realizada há dois anos que o rei espanhol Juan Carlos disse a Hugo Chávez "Por que não te calas?", em um incidente amplamente divulgado pela mídia - e cujo registro em vídeo teve mais de 4 milhões de visitas no YouTube.

Reuniões paralelas

Além da cúpula presidencial, haverá inúmeras reuniões paralelas, das quais as mais importantes são as bilaterais entre os presidentes dos vários países. Para essas reuniões, o presidente Lula é o mais disputado em número de pedidos de reunião.

A aposta portuguesa é privilegiar o Brasil, como explica o ministro Luís Amado: "O fato de organizarmos esta cimeira procura sobretudo evidenciar a importância que atribuímos à estruturação deste eixo ibero-americano e à natureza das relações bilaterais com todos os países da América Latina, a partir de uma relação âncora com o Brasil".

Também será realizada uma reunião entre chanceleres dos quatro países do Mercosul e Portugal e Espanha, para discutir formas de desbloquear as negociações entre o bloco econômico sul-americano e a União Europeia. No entanto, do Brasil não veio o ministro Celso Amorim - representado pelo secretário executivo Antônio Aguiar Patriota - e nem o negociador brasileiro com os europeus.

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