Eleição em El Salvador ocorre com normalidade e indefinição

Alejandro Varela. San Salvador, 15 mar (EFE).- As eleições presidenciais em El Salvador transcorrem hoje com uma normalidade reconhecida de maneira unânime e alterada apenas pela incerteza das previsões e da possibilidade do fim de uma hegemonia de duas décadas da Aliança Republicana Nacionalista (Arena).

EFE |

Uma eventual vitória do candidato da Frente Farabundo Martí para a libertação Nacional (FMNL), Mauricio Funes, encerrará 20 anos consecutivos de Governos da conservadora Arena, que apresenta a candidatura de Rodrigo Ávila.

As pesquisas apontam equilíbrio entre as possibilidades de cada um dos oponentes.

Os observadores eleitorais da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da União Europeia (UE) coincidiram em destacar que a normalidade e o comparecimento em massa às urnas caracterizaram de forma predominante o dia de votação.

Os dois únicos adversários também sublinharam o clima democrático da votação acima de incidentes isolados.

"A eleição é uma festa, e assim será até a hora em que o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) se comprometeu a divulgar os primeiros resultados oficiais", disse, em entrevista ao "Canal 21" da televisão salvadorenha, Funes, que usou o mote de "esperança" de Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha.

O candidato da ex-guerrilha FMNL, no entanto, protestou pouco após emitir seu voto contra "as irregularidades que e Arena cometeu durante a campanha eleitoral".

"A Arena continuou fazendo propaganda após terminada oficialmente", na quarta-feira, a campanha eleitoral e "mobilizou cidadãos centro-americanos, guatemaltecos, nicaragüenses e hondurenhos, que habilitou para votar" ilegalmente em seu candidato, acusou Funes.

Ávila, em entrevista ao mesmo "Canal 21", negou as acusações e disse que seu rival terá que aceitar o resultado das eleições, além de destacar a normalidade com a qual ocorreu a votação.

O procurador para a Defesa dos direitos Humanos de El Salvador, Óscar Luna, quem lidera uma missão de observadores, também destacou à imprensa local "a transparência" e a "sintonia democrática com a qual se desenvolveu o comparecimento às urnas" acima de incidentes que classificou de "isolados".

A missão de observação da OEA avaliou a participação dos salvadorenhos e advertiu para incidentes "menores".

"Queremos destacar a participação cidadã, a alegria com que as pessoas vêm às urnas", afirmou o boliviano Gustavo Fernández, chefe da missão da OEA, em entrevista coletiva.

A missão da UE aprovou "a normalidade e o espírito cívico" com os quais considerou que transcorreram as eleições.

"Até a metade da votação, observamos uma normalidade predominante, um esforço das autoridades para levar o processo de forma limpa e um grande espírito cívico por parte dos cidadãos", disse à agência Efe o espanhol José Ignacio Salafranca, chefe da missão de observadores do Parlamento Europeu.

Salafranca lembrou à Efe que os observadores europeus emitirão um relatório na terça-feira com suas considerações sobre todo o processo eleitoral salvadorenho, além do dia de votação.

O presidente de El Salvador, Elías Antonio Saca, disse, após votar, que "o país está caminhando na democracia e ninguém vai a deter este processo".

Saca, líder de Arena, afirmou que "mais de 70% dos eleitores" votarão nestas eleições, referindo-se a uma pesquisa à qual teve acesso nas últimas horas, sobre a qual se limitou a dizer que "ainda havia 17% de indecisos".

As zonas eleitorais abriram as portas às 7h locais (10h de Brasília), iniciando uma votação à qual 4.226.479 salvadorenhos estão convocados.

A votação estava marcada para terminar às 17h locais (20h de Brasília) e o Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) deve emitir os primeiros resultados oficiais a partir das 19h30 locais (22h30 de Brasília). EFE av/jp

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