Eleição é chance para o Iraque pós-Saddam consolidar sistema político

Bagdá, 6 mar (EFE).- As eIeições legislativas de amanhã no Iraque estão sendo consideradas fundamentais para o país, já que porão à prova um sistema político surgido há cinco anos e que, recentemente, foi influenciado por revanchismos políticos.

EFE |

Mais de 6 mil candidatos se inscreveram para disputar as 325 cadeiras em jogo no Parlamento. Em nome da reconciliação interna até agora não atingida, eles, que pertencem a uma vasta gama de alianças e grupos políticos, buscam integrar todos os setores e etnias do país.

O Parlamento que for eleito no domingo será o segundo do Iraque desde a queda de Saddam Hussein, em 2003. Em janeiro de 2005, o país realizou eleições constituintes, das quais os sunitas não participaram. Já o Legislativo atual foi escolhido em dezembro do mesmo ano.

Amanhã também será a primeira vez em que os iraquianos votarão com listas abertas, o que dará a aos eleitores a possibilidade de escolher um determinado grupo político ou um de seus representantes.

"Este sistema permitirá conhecer a força de um candidato na sociedade", disse à Agência Efe o deputado e candidato Azat al-Shabandar, que não tem filiação partidária mas integra a lista liderada pelo primeiro-ministro Nouri al-Maliki.

As previsões indicam que nenhuma das grandes coalizões que disputarão o pleito conseguirá cadeiras suficientes para governar sozinho. Mas Maliki, no poder desde 2006, é um dos favoritos. À frente da aliança Estado de Direito, dominada pelo Partido Dawa, ao qual pertence, ele defende a bandeira da reconciliação e da integração.

O chefe de Governo iraquiano, segundo pessoas próximas a ele, acredita que sua coalizão elegerá cerca de 120 parlamentares.

Cálculos menos otimistas, no entanto, indicam que ficará entre 80 e 90 os legisladores eleitos pelo seu grupo.

"Se ele não conseguir 120 cadeiras, encontrará dificuldades para formar um Governo", declarou Shabandar sobre as chances de Maliki, um desconhecido na política iraquiana até 2005 e que só chegou ao poder após negociações que se estenderam por cinco meses.

De fato, o cenário se complicou um pouco para o primeiro-ministro. Com muitas promessas eleitorais descumpridas e sem ter conseguido conter a violência que mina as bases do Estado, ele ficou com a imagem desgastada.

Os atentados terroristas de agosto e outubro passados, com uma série de explosões em ministérios e edifícios públicos, centenas de mortos e assinatura da Al Qaeda, também diminuíram o prestígio de Maliki.

"As explosões que sacudiram o país no ano passado tinham como objetivo diminuir a o sucesso da coalizão liderada por Maliki", admitiu à Agência Efe Ali al-Adib, um dos líderes do Partido Dawa.

O premiê também enfrentará as urnas sem o apoio de antigos aliados, que, segundo analistas, se afastaram quando perceberam a intenção dele de monopolizar o poder.

A Aliança Nacional Iraquiana é outra pedra no caminho de Malik.

Liderada pelo maior partido xiita do país, o Conselho Supremo Islâmico Iraquiano, ela tem entre seus integrantes o clérigo radical xiita Moqtada al-Sadr.

No entanto, os políticos de maior peso dentro da Aliança são o atual ministro das Finanças, Bayan Jabr, e o ex-primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari. Eles, como seus correligionários na disputa, tentarão atrair para si os votos que Maliki foi perdendo após as eleições regionais de janeiro de 2009, nas quais a coalizão governista venceu em nove das 14 províncias.

Outro candidato com boas chances é o ex-primeiro-ministro xiita Iyad Allawi, aliado de um dos vice-presidentes iraquianos, o sunita Tareq a-Hashemi, e do também sunita Saleh al-Mutlaq, todos membros da chamada Lista Iraquiana.

Esse grupo foi prejudicado pela exclusão de Mutlaq da lista de candidatos ao Parlamento. O veto partiu de uma comissão que proibiu a participação no pleito de pessoas suspeitas de ligação com seguidores de Saddam Hussein.

A decisão, que afetou cerca de 500 candidatos e foi muito questionada por círculos políticos, especialmente sunitas, gerou dúvidas sobre os esforços iraquianos para superar o ainda latente revanchismo político. Para o analista político Jalifa Hadi, a proibição fez a reconciliação no Iraque "não passar de um sonho".

EFE ag/sc

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