Eleição de Obama causa expectativa de mudança em política externa

Teresa Bouza. Washington, 5 nov (EFE).- A possibilidade de que o presidente eleito de EUA, Barack Obama, fixe um novo rumo para a política externa do país gera hoje entusiasmo ao redor do mundo.

EFE |

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, confiou em "uma era de alianças renovadas e um novo multilateralismo".

O primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, descreveu os resultados das eleições presidenciais de terça-feira nos EUA como "históricos" e assegurou que ele e Obama compartilham "muitos valores".

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, assegurou que a eleição de Obama gera "uma enorme esperança".

E o presidente da China, Hu Jintao, disse esperar um maior diálogo.

Barack Obama prometeu que inaugurará uma nova era em política externa, que estará marcada por uma diplomacia enérgica e uma atitude de diálogo distinta ao unilateralismo que definiu grande parte da atual Presidência de George W. Bush.

Frases como "estão conosco ou com os terroristas" e a apresentação de um mundo em preto e branco, no qual as forças do bem se opunham ao "eixo do mal", serviram para que os analistas se referissem freqüentemente a Bush como o paladino da "diplomacia cowboy".

Essa atitude e a polêmica decisão de invadir o Iraque, apesar ao clamor contrário da maioria da opinião pública mundial minguaram, segundo os analistas, a autoridade moral americana no mundo, que o democrata Barack Obama deverá agora reparar.

"Acho que o mais importante que vamos ver com Obama é que o presidente e o Departamento de Estado refletirão uma atitude diferente da dos últimos oito anos em política externa", disse à agência Efe Adam Seagal, da Universidade Johns Hopkins.

Seagal prevê que Obama iniciará uma política externa firme, mas trabalhará ao mesmo tempo com os aliados.

Para Steffen Schmidt, da Universidade Estatal de Iowa, a vitória de Obama representa a inauguração de "uma nova política externa com mais diplomacia e menos uso da força militar".

Dennis McDonough, alto assessor de Obama em política externa afirmou em entrevista recente à agência Efe que o democrata buscará impulsionar as relações com parceiros importantes, como o México.

Além disso, tratará de pôr fim a um período de "oportunidades perdidas" na América Latina que deixaram um "vazio de poder" e encheram atores políticos como o presidente venezuelano, Hugo Chávez.

McDonough adiantou que Obama buscará reforçar também os laços com os aliados europeus.

"Quando um pensa em desafios como a mudança climática, o terrorismo, a proliferação nuclear, todos esses são assuntos que todos nós enfrentamos e temos que nos unir para fazer frente a eles", explicou o assessor.

Os analistas reconheceram que Obama enfrentará a partir de 20 de janeiro, quando tomará posse, tarefas "monumentais".

O democrata se encontrará, em sua chegada à Casa Branca, com duas guerras abertas -uma no Iraque e outra no Afeganistão-, uma crise financeira internacional, a crescente ameaça nuclear do Irã e um conflito pendente de solução entre palestinos e israelenses.

A essa lista, somam-se os problemas de longo alcance de estabilidade e cooperação com a Rússia, a instabilidade no Paquistão e a necessidade de assimilar a uma China, cada vez mais influente a escala global no sistema internacional.

"As exigências são monumentais", disse à Efe Fred Greenstein, professor emérito da Universidade de Princeton (Nova Jersey), que confia em que o "incomum talento" de Obama o ajude a enfrentar com sucesso os desafios.

Zbigniew Brzezinski, assessor de segurança nacional durante a Presidência de Jimmy Carter (1977-1981) disse à Efe em julho, que Obama é consciente dos problemas que herda e tem um sentido de responsabilidade para enfrentá-los.

"Um dos motivos pelos quais o apoio (...) é porque entende essas duas dimensões da responsabilidade que herdará", afirmou então Brzezinski. EFE tb/jp

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