Eleição de ex-guerrilheiro a prefeito marca virada da opinião pública

Vitória de Gustavo Petro em Bogotá, na Colômbia, gera expectativa de que grupo rebelde do país busque saída pacífica

iG São Paulo |

A eleição do ex-guerrilheiro Gustavo Petro para o cargo de prefeito de Bogotá gerou expectativa entre os colombianos de que líderes do principal grupo rebelde do país também poderiam buscar uma saída pacífica para uma guerra civil que já dura 50 anos.

AP
Gustavo Petro fala aos seus partidários depois de eleito prefeito (30/10)

Petro, de 51 anos, luta há duas décadas contra o estigma de ter participado do extinto movimento M-19. Ele assumirá em janeiro o comando da capital, uma cidade de 8 milhões de habitantes e orçamento de US$ 7 bilhões. Ser prefeito de Bogotá é ocupar o segundo mais importante cargo público da Colômbia, atrás apenas do presidente.

A guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), maior, mais antigo e mais violento grupo armado em atividade na América do Sul, não se manifestou sobre a eleição de Petro, que foi candidato derrotado a presidente em 2010.

Para o analista político Juan Carlos Palou, "a mensagem (da eleição de Petro) é clara: desde que você use o seu capital político de forma legal, há espaço para trilhar o caminho político".

"Alguns comandantes de médio escalão das Farc, mais educados, podem ver isso como uma oportunidade", afirmou, ressalvando no entanto que a extrema esquerda pode minimizar o triunfo de Petro, alegando que ele simplesmente se desviou das suas origens ideológicas e foi para a direita.

As Farc sinalizam disposição para negociar com o governo do presidente Juan Manuel Santos, que no entanto exige como pré-condição que o grupo deponha suas armas e pare de cometer sequestros.

Para muitos colombianos, a eleição de Petro é um sinal de que uma paz negociada é possível. "Petro é um bom exemplo de reintegração, e acho que a liderança das Farc o verá como um exemplo", disse Camilo Piedrahita, de 43 anos, funcionário de uma empresa de tecnologia da informação em Bogotá. "Não sei se isso vai motivar um novo processo de paz, mas é possível. Torço para que sim."

Petro, economista e ex-parlamentar, passou dois anos preso por suas atividades no M-19, grupo que abandonou a luta armada no final da década de 1980.

Em seu discurso de vitória, ele declarou que "Bogotá escolheu como seu prefeito um filho do processo de paz" e que a cidade "está dizendo sim à reconciliação, sim à paz."

León Valencia, diretor da ONG pacifista Nuevo Arco Iris, afirmou que a eleição dele mostra que a esquerda colombiana tem espaço para crescer politicamente, "desde que seja imaginativa, criativa, com ideias e liderança."

"A Colômbia está trilhando o mesmo caminho do Brasil e Uruguai, que elegeram ex-guerrilheiros como seus presidentes", acrescentou.

Com Reuters

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