ElBaradei se somará às manifestações e quer liderar a transição no Egito

Nobel da Paz de 2005 chega ao país em apoio a manifestantes que pedem renúncia de Mubarak; protestos deixaram 7 mortos

iG São Paulo |

Mohamed ElBaradei, o vencedor do Nobel da Paz em 2005 e líder da oposição egípcia, desembarcou nesta quinta-feira no Egito e planeja participar de esperadas amplas manifestações contra o governo na mais populosa nação árabe do mundo na sexta-feira.

Após chegar, ElBaradei, que lidera há um ano uma campanha em favor de reformas políticas e eleitorais no Egito, governado desde 1981 pelo presidente Hosni Mubarak, afirmou que a mudança política no país "é inevitável".

"Acho que esse é um momento fundamental para o futuro do Egito. A mudança é inevitável. Não dá para voltar atrás", afirmou no aeroporto internacional do Cairo. "Quero garantir que nos dirigimos para um processo de mudança pacífico", disse o ex-diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

ElBaradei, uma figura com grande prestígio internacional, mas com pouco apoio popular no Egito, chegou ao Cairo procedente de Viena, onde passa longas temporadas.

Foi muito criticado no Egito, incluindo entre seus seguidores, por suas repetidas ausências do país.

Antes de partir de Viena, ElBaradei declarou  estar pronto se o povo egípcio lhe pedir para que dirija a transição política na eventualidade de Mubarak deixar o poder.

"Se o povo, e particularmente os jovens, desejar que eu dirija a transição, não o decepcionarei", afirmou no aeroporto de Viena."Minha prioridade agora é ver um novo Egito encaminhado para uma transição pacífica", disse.

ElBaradei é crítico do regime de Mubarak, que está no poder há três décadas. "Se os tunisianos conseguiram, os egípcios também podem", declarou à revista alemã Der Spiegel ao referir-se à "Revolução de Jasmim", que causou a queda de Zine El Abidine Ben na Tunísia, como possível inspiração para os manifestantes no Egito.

ElBaradei não possui um partido reconhecido, mas formou um movimento, a Associação Nacional para a Mudança, que defende reformas democráticas e sociais no país.

O retorno do opositor acontece enquanto os jovens militantes a favor da democracia, inspirados na rebelião tunisiana contra Ben Ali, realizaram novas manifestações nesta quinta-feira e planejam outras para as orações semanais de sexta-feira.

Desde o início das manifestações, na terça-feira, pelo menos mil manifestantes foram detidos no Egito,  informou uma fonte dos serviços de segurança. Os protestos deixaram sete mortos e dezenas de feridos.

O "Movimento 6 de Abril", uma organização pró-democracia que está por trás das manifestações, pediu aos egípcios a continuidade dos protestos, inspirados na revolta tunisiana que derrubou o presidente Ben Ali.

Manifestantes presos

As autoridades judiciais das cidades egípcias de Assiut e Suez determinaram a prisão de 42 manifestantes acusados de tentar "derrubar o regime" de Mubarak, segundo fontes da Justiça citadas na edição digital do jornal "Masry Al-Youm".

Em Assiut, no sul do Cairo, foi ordenada a detenção de 22 manifestantes, enquanto foram libertadas 26 mulheres que também haviam participado dos protestos. Segundo o jornal, as forças de segurança em Assiut acusaram os detidos de se manifestar sem permissão, incitar à hostilidade contra o regime e tentar derrubar o sistema.

As autoridades interrogaram vários presos, especialmente os simpatizantes do movimento Irmandade Muçulmana, que o regime de Mubarak acusa de se infiltrar nas manifestações para causar distúrbios.

Em Suez, a Justiça determinou nesta quinta-feira a prisão de 20 manifestantes, enquanto espera que tenha início a investigação pelas acusações de destruição de patrimônio público, incitação à queda do regime e ataque contra policiais.

*Com AFP e EFE

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