ElBaradei lamenta conflito no Iraque e defende diálogo com o Irã

Viena, 14 set (EFE).- O egípcio Mohamed ElBaradei se despediu hoje, depois de 12 anos, do posto de diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

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Embora vá ficar no cargo até o fim de novembro, quando será substituído pelo japonês Yukiya Amano, o diplomata aproveitou a abertura da Conferência Geral da AEIA para se despedir de todos os Estados-membros.

Ao passar em revista os 12 anos como diretor-geral, ElBaradei voltou a lamentar o fato de que, "apesar de a AIEA e a ONU terem divulgado informações imparciais e fáticas que indicavam a ausência de armas de destruição em massa no Iraque, uma guerra foi lançada contra esse país".

Segundo o diretor da AIEA, o conflito iraquiano, que "possivelmente custou a vida a centenas de milhares de civis inocentes", começou dois meses depois de ele mesmo ter dito que não existiam provas de que o Iraque havia reativado seu programa nucelar.

"Como um valioso investimento na paz, pedi cerca de dois meses a mais para completarmos nosso trabalho de verificação", disse o egípcio, cujo pedido acabou "ignorado".

"Lições importantes têm de ser aprendidas com o Iraque e a Coreia do Norte", afirmou ElBaradei. "A primeira é que temos de deixar a diplomacia e a fiscalização exaustiva seguirem seu curso, sem importar o quão longo e pesado seja o processo".

Sobre o programa iraniano, cujo caráter - civil ou militar - segue sem estar claro, o diplomata disse que só mediante o diálogo será possível solucionar o problema.

Segundo ElBaradei, o caso do Irã foi aberto há seis anos e ainda há"várias questões" pendentes e "acusações que lançam dúvidas sobre a natureza pacífica" das aspiração nucleares do país.

Essas dúvidas, destacou, só poderão ser resolvidas com a colaboração iraniana e a "criação de uma relação confiança" por meio do diálogo. EFE as/sc

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