ElBaradei exige que EUA mostrem documentos que provam plano atômico iraniano

Viena, 22 set (EFE).- O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, exigiu hoje em Viena que os Estados Unidos e seus aliados concedam ao Irã acesso aos documentos originais que supostamente provam que Teerã realizou estudos relacionados à fabricação de bombas atômicas.

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Em seu discurso de abertura de uma reunião do Conselho de Governadores da AIEA, ElBaradei afirmou que seus inspetores continuam sem poder esclarecer estes "supostos estudos", o que classificou de "preocupante".

Ele disse ainda que, apesar de o Irã ter reconhecido parte desta informação, entregue à AIEA pelos EUA e cerca de dez outros países, Teerã reitera que tratam-se de "falsificações".

Por causa da queixa feita pelo Irã de não ter tido acesso aos originais ou cópias destes documentos, ElBaradei exigiu aos países-membros da AIEA a "autorização de compartilhamento" desta informação com Teerã.

Por outro lado, o diretor-geral da AIEA rejeitou as acusações do Irã de que seus inspetores tentam "espionar" as atividades militares e convencionais relacionadas a seu programa de mísseis.

O embaixador do Irã na organização, Ali Asghar Soltanieh, afirmou à imprensa na capital austríaca que os documentos sobre os supostos estudos nucleares do país "não têm nenhuma autenticidade".

O diplomata acusou os EUA de "bloquearem" o trabalho de verificação do organismo ao não autorizar o compartilhamento dos documentos com o Irã.

"Isso coloca em perigo a credibilidade da AIEA", disse o dirigente iraniano, que acrescentou que "os EUA se isolam ao não serem lógicos e pragmáticos".

Washington se nega a entregar estes documentos, extraídos em parte de um computador iraniano, com o argumento de conterem informação que poderia ajudar o Irã a impulsionar seu programa nuclear militar.

Os EUA e a União Européia (UE) suspeitam que o programa nuclear iraniano tem fins militares, mas Teerã garante que só deseja usá-lo para fins pacíficos, como a geração de energia elétrica e aplicações médicas.

Um alto funcionário da ONU disse na semana passada que a pesquisa do programa nuclear do Irã está "estagnada".

Os pontos mais controvertidos ainda são os denominados "supostos estudos", como o "Green Salt Project" (Projeto Sal Verde), relativo a supostas pesquisas secretas sobre o processamento de urânio.

Além disso, os inspetores tentam esclarecer a existência de experimentos com explosivos de grande potência - necessários para desencadear a reação em cadeia de uma explosão nuclear - e projetos de mísseis.

Por isto, ElBaradei reiterou hoje que seus analistas não poderão dar garantias comprovadas sobre a ausência de materiais e atividades nucleares não declarados se o Irã não se mostrar mais transparente.

EFE jk/ev/fal

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