Líder opositor do Egito afirma que americanos 'falam em democracia, mas apoiam um ditador que oprime seu povo'

Manifestantes cercam tanques do Exército na praça de Tahrir, no Cairo
AFP
Manifestantes cercam tanques do Exército na praça de Tahrir, no Cairo

O líder opositor egípcio Mohamed ElBaradei afirmou neste domingo que os Estados Unidos "perdem sua credibilidade" ao defender a democracia no Egito ao mesmo tempo em que mantêm o apoio ao presidente Hosni Mubarak, cujo regime de 30 anos é alvo de protestos desde terça-feira.

"O governo americano não pode pedir ao povo egípcio que acredite que um ditador que está no poder há 30 anos vai implementar a democracia", afirmou ElBaradei, em entrevista à emissora de TV americana CBS. "As pessoas aqui podem ser pobres, mas são inteligentes."

ElBaradei disse que a credibilidade dos americanos entre os egípcios diminui "dia após dia". "Por um lado, vocês falam em democracia, Estado de Direito e direitos humanos", afirmou, referindo-se ao governo americano. "Por outro lado, apoiam um ditador que continua oprimindo seu povo."

Em outra entrevista, dessa vez à rede CNN, Mubarak fez um apelo para que Mubarak "deixe o poder e salve o Egito". "Acho que está muito claro que todos no Egito querem que ele vá embora, e que isso é algo de que nenhum egípcio vai abrir mão", afirmou. "O país precisa alcançar o resto do mundo. Precisamos ser livres, democráticos e uma sociedade na qual a população tem direito à liberdade e dignidade."

ElBaradei afirmou que um governo de união nacional é necessário para conduzir o país durante a transição para a democracia e convocar eleições "justas e livres". Questionado pelo jornalista da CNN sobre se ele mesmo poderia se tornar presidente interino, ElBardei respondeu que o faria, caso esta fosse a vontade da população.

O ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi encarregado pela oposição egípcia neste domingo de negociar com o regime de Mubarak em nome da Coalizão Nacional pela Mudança, que reúne vários movimentos opositores do país, entre eles a Irmandade Muçulmana.

Hillary Clinton

Neste domingo, a chefe da diplomacia americana Hillary Clinton defendeu uma "transição organizada" no Egito. Questionada por um jornalista da rede ABC sobre se considerava que as mudanças ministeriais anunciadas por Mubarak durante o fim de semana eram suficientes, ela respondeu: "É claro que não". "É apenas o começo do que deve acontecer, um processo que leve a medidas concretas e culmine nas reformas democráticas e econômicas que temos pedido, e das quais o próprio presidente Mubarak falou em seu discurso (de sexta-feira)", acrescentou.

Entretanto, o governo do presidente Barack Obama não pretende neste momento suspender a ajuda financeira que dá ao Egito, ou mesmo considerar esta hipótese, segundo Hillary.

"Não há qualquer discussão neste momento sobre o corte de qualquer ajuda", enfatizou a secretária de Estado. "Estudamos e revisamos nossa ajuda constantemente, mas por hora buscamos transmitir uma mensagem muito clara: o que desejamos é que não haja violência ou qualquer provocação que desencadeie a violência", afirmou.

Com AFP

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