ElBaradei desafia toque de recolher e vai a protesto no Egito

Líder opositor participa de manifestação contra o governo na praça Tahrir, no centro do Cairo

iG São Paulo |

AFP
ElBaradei se une a manifestantes e diz que Egito está perto de "Nova Era". Clique aqui para assistir ao vídeo

O líder opositor Mohamed ElBaradei desafiou neste domingo o toque de recolher vigente no Egito e participou de um protesto contra o presidente Hosni Mubarak. ElBaradei chegou no início da noite (horário local) à praça Tahrir, no centro do Cairo, epicentro das manifestações que começaram na terça-feira.

Os fieis oravam diante de uma grande mesquita do bairro de Guiza, e gritavam "Abaixo (o presidente) Hosni Mubarak!" imediatamente depois de terminada a oração, em meio a um importante dispositivo de segurança.han/cn

"Quero pedir a vocês que tenham paciência, pois a mudança chegará", afirmou ElBaradei a milhares de manifestantes reunidos no local. "O Egito está no início de uma nova era."

ElBaradei, que é ganhador do prêmio Nobel da Paz e ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), foi encarregado pela oposição egípcia de negociar com o regime de Mubarak em nome da Coalizão Nacional pela Mudança, que reúne vários movimentos opositores do país, entre eles a Irmandade Muçulmana.

Crítica aos EUA

Em entrevista à rede americana CBS neste domingo, ElBaradei disse que os Estados Unidos "perdem sua credibilidade" ao defender a democracia no Egito ao mesmo tempo em que mantêm o apoio ao presidente Hosni Mubarak, cujo regime de 30 anos é alvo de protestos desde terça-feira. "O governo americano não pode pedir ao povo egípcio que acredite que um ditador que está no poder há 30 anos vai implementar a democracia", afirmou ElBaradei. "As pessoas aqui podem ser pobres, mas são inteligentes."

ElBaradei disse que a credibilidade dos americanos entre os egípcios diminui "dia após dia". "Por um lado, vocês falam em democracia, Estado de Direito e direitos humanos", afirmou, referindo-se ao governo americano. "Por outro lado, apoiam um ditador que continua oprimindo seu povo."

Em outra entrevista, dessa vez à rede CNN, Mubarak fez um apelo para que Mubarak "deixe o poder e salve o Egito". "Acho que está muito claro que todos no Egito querem que ele vá embora, e que isso é algo de que nenhum egípcio vai abrir mão", afirmou. "O país precisa alcançar o resto do mundo. Precisamos ser livres, democráticos e uma sociedade na qual a população tem direito à liberdade e dignidade."

ElBaradei afirmou que um governo de união nacional é necessário para conduzir o país durante a transição para a democracia e convocar eleições "justas e livres". Questionado pelo jornalista da CNN sobre se ele mesmo poderia se tornar presidente interino, ElBardei respondeu que o faria, caso esta fosse a vontade da população.

Hillary Clinton

Neste domingo, a chefe da diplomacia americana Hillary Clinton defendeu uma "transição organizada" no Egito. Questionada por um jornalista da rede ABC sobre se considerava que as mudanças ministeriais anunciadas por Mubarak durante o fim de semana eram suficientes, ela respondeu: "É claro que não". "É apenas o começo do que deve acontecer, um processo que leve a medidas concretas e culmine nas reformas democráticas e econômicas que temos pedido, e das quais o próprio presidente Mubarak falou em seu discurso (de sexta-feira)", acrescentou.

Ela admitiu que os Estados Unidos temem que um grupo radical assuma o poder. "O que nós não queremos é que uma ideologia radical tome conta de um país tão grande e importante no Oriente Médio", declarou

Entretanto, o governo do presidente Barack Obama não pretende neste momento suspender a ajuda financeira que dá ao Egito, ou mesmo considerar esta hipótese, segundo Hillary.

"Não há qualquer discussão neste momento sobre o corte de qualquer ajuda", enfatizou a secretária de Estado. "Estudamos e revisamos nossa ajuda constantemente, mas por hora buscamos transmitir uma mensagem muito clara: o que desejamos é que não haja violência ou qualquer provocação que desencadeie a violência", afirmou.

Com AFP

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