El Niño previsto para este ano deve elevar emissões de carbono

Por David Fogarty CINGAPURA (Reuters) - A possibilidade de acontecimento do fenômeno El Niño este ano ameaça provocar secas e inundações e desencadear um pico nas emissões de gases causadores do efeito estufa, como resultado da queima de florestas que provocará.

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O El Niño é o aquecimento das águas tropicais do Oceano Pacífico que afeta o padrão de circulação dos ventos. Seus efeitos no clima mundial variam de um momento para outro.

Tentar prever como o El Niño será afetado pelo aquecimento global é um grande desafio, dizem os cientistas, embora os dados coletados mostrem que o fenômeno se tornou mais frequente e mais intenso nas últimas três décadas. A última ocorrência foi em 2006.

"Não acho que existam estudos dizendo que El Niño vai tornar-se menos severo, mas há divergências entre os modelos climáticos sobre se o fenômeno vai ficar mais severo ou estabilizar-se", disse Matthew England, do Centro de Pesquisas de Mudanças Climáticas, em Sydney, Austrália.

Obter prognósticos corretos é crucial para fazendeiros no planejamento de suas lavouras e também para a indústria petrolífera na avaliação de riscos de tempestades no Golfo do México.

"Certamente nós sabemos por situações climáticas anteriores que a intensidade do El Niño varia. Como o clima muda, sabemos que a intensidade do El Niño pode parecer maior e depois diminuir nas medições por um período longo", disse ele.

O Bureau de Meteorologia da Austrália informou na semana passada que é quase certo que haverá o El Niño este ano e os sinais indicam que o fenômeno já está a caminho. Uma declaração formal poderá ser feita dentro de alguns dias.

Uma das maiores ameaças causadas pelo El Niño vem da liberação de grande quantidade de gases do efeito estufa por meio da queima de matas secas.

Cientistas dizem que há uma correlação muito forte entre o El Niño e a seca no Sudeste Asiático, região com amplas áreas de florestas de turfa, ricas em carbono.

"As pessoas esperam as condições adequadas para se livrarem das florestas", disse Pep Canadell, do Projeto Global de Carbono, em Canberra, Austrália.

"Portanto, quanto mais seco o El Niño, mais incentivo há para as pessoas se aproveitarem dessas condições raras", disse ele. A maioria dos incêndios ocorre na Indonésia.

Durante o intenso El Ninõ de 1997/98, os incêndios no Sudeste Asiático liberaram entre 2,9 bilhões e 9,4 bilhões de toneladas de CO2, mergulhando a região em um nevoeiro asfixiante.

A fumaça equivale a um número entre 15 e 40 por cento das emissões mundiais de combustíveis fósseis e vem sendo apontada como causa da forte elevação das temperaturas no planeta.

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