El Bulli: uma pausa aos 50 anos do chef Adrià

Por Caius Apicius Madri, 28 jan (EFE).- Fazia tempo que se falava de um fechamento temporário do restaurante espanhol El Bulli.

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Até o chef Ferran Adrià já tinha insinuado alguma vez. Agora ele anuncia oficialmente que suspenderá a atividade de seu carro-chefe pelos anos de 2012 e 2013.

Todos pensaríamos em um biênio sabático, mas Adrià descarta: "vamos continuar trabalhando".

El Bulli será fechado em 2012, ano em que Adrià cumpletará meio século de vida. É inevitável lembrar que, em idade parecida, o então considerado melhor cozinheiro do mundo, Joël Robuchon, em plenos anos de glória, também decidiu deixar a atividade diária de seu restaurante de Paris. Hoje, Robuchon dá nome a uma série de restaurantes em distintas partes do mundo, de Paris a Tóquio, de Hong Kong a Las Vegas...

O que vai fazer Adrià? Continuar pesquisando, afirmou. De fato, toda a trajetória do chef espanhol se baseou na pesquisa, na criação, na experimentação. Desde que o francês Jacques Maximin lhe disse que "criar é não copiar", Adrià foi atrás da criatividade, tocou todas as teclas e evoluiu para uma cozinha não é qualquer um que pode copiar.

Com um paladar invejável e uma imensa capacidade de trabalho, não deixou de buscar novas formas de expressão culinária. Assim obteve para o local o título de "melhor restaurante do mundo" por vários anos consecutivos, inclusive em 2009.

Não parece ser a pressão o motivo para Adrià fazer uma pausa, porque se fosse por isso pararia agora, não dentro de dois anos.

Também não se pode pensar que a fórmula se esgotou - isso valeria para qualquer um, menos ele.

Certamente El Bulli não é um restaurante rentável em termos econômicos - calculemos de 8 mil a 9 mil serviços a cada ano. Mas o dinheiro também não é o que preocupa Ferran Adrià, que trabalha com outras muitas atividades. Digamos que agora fecha o vitrine mais conhecido, mas seguirá aí.

A incógnita é saber... o que fará na volta. Será como Robuchon, que agora é menos famoso, mas cujos restaurantes, entre eles os parisienses L'Atelier e La Table, triunfam em toda regra? Ou continuará nos caminhos da cozinha baseada na pesquisa e no desenvolvimento tecnológico? Na verdade, a primeira pergunta que se deveria fazer é... será que realmente em 2012 ele abrirá esse parentêse? Adrià mudou para sempre a imagem da cozinha espanhola no exterior: já não é só gaspacho, paelha, sangria e omelete de batatas, mas vanguarda, arte, provocação...

Poucos espanhóis foram capa do "The New York Times: ele sim. Até a França se rendeu a sua ciência. A suas mesas já se sentaram gourmets dos cinco continentes. Formou uma dupla perfeita com Juli Soler, que foi todos estes anos a alma de El Bulli.

Discutido, adorado, sempre com uma personalidade própria e fiel a si mesmo, marcou uma época de ouro na cozinha universal. Agora lhe chega a esperada pausa aos 50. Tem direito. Mas com certeza que já está pensando no mundo gastronômico em 2014. Isso se for capaz de ficar sossegado por tanto tempo. Conhecendo-o, acredita-se que não.

Enquanto isso, só se deseja que a pausa seja confortável. Todos temos algo a lhe agradecer. Uma coisa está clara: com El Bulli fechado, embora temporariamente, vai ser difícil dizer com unanimidade qual será o melhor restaurante do mundo. Ou mesmo da Espanha: para o bem e para o mal, não há outro Adrià. EFE cah/sa

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