El Baradei pede à ONU mais poderes à AIEA e defende menos sanções

Por Mark Heinrich VIENA (Reuters) - O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, pediu nesta segunda-feira que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) dê ao órgão mais poderes para evitar a difusão de armas nucleares, em vez de priorizar a adoção de sanções que, segundo ele, muitas vezes são inúteis.

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A declaração foi uma clara referência ao caso do Irã, que sofre sanções da ONU, apesar de insistir no caráter pacífico de seu programa nuclear. Enquanto ElBaradei falava, a TV estatal iraniana dizia que Teerã e seis potências mundiais retomarão no começo de outubro suas negociações sobre o programa nuclear do país, que o Ocidente acusa de estar voltado para o desenvolvimento de armas.

ElBaradei, prestes a deixar o cargo, elogiou os EUA por oferecem uma retomada do diálogo com o Irã sem pré-condições, mas sugeriu que as ameaças de novas sanções à República Islâmica caso o diálogo fracasse não levarão a lugar algum.

"Devemos manter abertos os canais de comunicação com aqueles com quem temos questões que precisam ser resolvidas, em vez de procurar isolá-los", disse ElBaradei em pronunciamento na abertura da reunião anual dos 150 países integrantes da AIEA.

Ele afirmou que os inspetores da AIEA não podem fazer seu trabalho "em isolamento", pois dependem de apoio político do Conselho de Segurança. Por isso, pediu que a agência receba mais meios para verificar que não haja Estados desviando material ou tecnologia nuclear para a produção de armamentos.

"O Conselho precisa desenvolver um mecanismo abrangente de cumprimento que não dependa apenas de sanções, que com muita frequência ferem os vulneráveis e os inocentes", disse ElBaradei, referindo-se aos exemplos da Coreia do Norte e do Iraque sob o regime de Saddam Hussein.

Ele disse que há três questões prementes -- a fraca autoridade jurídica da AIEA, a falta de verbas da agência e a ameaça de que militantes obtenham materiais nucleares -- e que sua não-resolução "poderia colocar em risco todo o regime de não-proliferação."

ElBaradei afirmou que 73 países, inclusive Irã e Coreia do Norte, deixaram de ratificar um protocolo da AIEA que permitiria inspeções sem aviso prévio fora de instalações nucleares oficiais, o que é considerado essencial para a obtenção de provas de atividades nucleares secretas para fins militares.

"Para esses países, nossa capacidade de detectar possíveis atividades não-declaradas está severamente limitada", disse ele.

O representante dos EUA, discordando obliquamente de ElBaradei, disse que qualquer irregularidade nuclear precisa enfrentar "sérias consequências" no âmbito do Conselho de Segurança, numa alusão ao uso de sanções.

"O fracasso em impor consequências significativas coloca em risco tudo o que obtivemos. Não podemos deixar isso acontecer", afirmou o secretário de Energia dos EUA, Steven Chu.

(Reportagem adicional de Sylvia Westall)

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