El Baradei cobra ação árabe para resolver questão do Irã

VIENA - O impasse em torno do programa nuclear iraniano não será resolvido sem o envolvimento dos vizinhos árabes do país, disse na segunda-feira o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), Mohamed El Baradei. De acordo com ele, a guinada na política dos EUA ampliou as chances de uma solução pacífica, mas o envolvimento dos Estados árabes continua sendo crucial.

Reuters |

Historicamente, os árabes têm grande desconfiança do Irã, mas atualmente estão divididos sobre como lidar com o problema.

"Acho surpreendente que os países árabes não estejam envolvidos no diálogo entre o Irã e o Ocidente. Os vizinhos até agora estão em cima do muro. Qualquer solução para a questão iraniana tem de envolver os vizinhos", disse El Baradei.

Analistas do Oriente Médio dizem que os países árabes do golfo Pérsico tinham pouco entusiasmo pela posição belicosa do ex-presidente norte-americano George W. Bush, que rejeitava negociações diretas e não descartava uma ação militar.

Mas agora eles temem que uma eventual aproximação EUA-Irã acabe levando ao surgimento de uma superpotência xiita, não-árabe e com armas nucleares no seu quintal, e que isso deixaria os árabes sunitas entre duas potências nucleares "estrangeiras" --Israel e Irã.

No entanto, qualquer ação coletiva dos árabes a respeito de Teerã parece presa às crônicas divisões a respeito de outras questões, inclusive a oferta de paz a Israel feita pela Arábia Saudita em 2002, e que enfrentou forte oposição de árabes radicais, apoiados por Teerã.

El Baradei disse ainda que uma estrutura de segurança do Oriente Médio que seja calcada no Irã, em todos os árabes e em Israel, supostamente a única potência nuclear atual da região, seria uma parte indispensável de um eventual arranjo de paz no Oriente Médio.

A falta de garantias de segurança, segundo ele, está no âmago da motivação iraniana para um suposto programa de armas nucleares - que a República Islâmica diz não existir, alegando que suas atividades atômicas se destinam apenas à geração de eletricidade com fins civis.

"O Irã pode ser uma força positiva na região; poderia também ser uma fonte de conflito e confronto", disse El Baradei em um fórum sobre política externa no Parlamento da Áustria, em Viena, onde fica a sede da AIEA.

O egípcio de 66 anos, vencedor do Nobel da Paz em 2005 junto com a própria AIEA, deixa o cargo em novembro, após 12 anos à frente da entidade.

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