Egito tenta adiar processo do TPI contra presidente sudanês

Cairo, 11 nov (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, afirmou que seu país tenta adiar o processo aberto na Tribunal Penal Internacional (TPI) contra o presidente sudanês, Omar Hassan al-Bashir.

EFE |

Gheit afirmou isto na noite da última segunda no programa de TV "Etkalem", exibido pela emissora estatal, diz a agência oficial de notícias egípcia "Mena".

O promotor-chefe do TPI, Luis Moreno Ocampo, anunciou em 14 de julho uma acusação por crimes de guerra e genocídio do presidente sudanês e pediu aos juízes que emitissem uma ordem de detenção para que Bashir possa ser capturado e julgado em Haia.

A acusação se refere ao papel de Bashir no conflito de Darfur, que explodiu em fevereiro de 2003, deixou cerca de 300 mil mortos e obrigou dois milhões e meio de pessoas a abandonarem suas casas, segundo cálculos da ONU.

O ministro egípcio afirmou que o Conselho de Segurança da ONU tem o poder de adiar um processo no TPI por razões extraordinárias, uma decisão ainda não adotada pela entidade.

"Acreditamos que não é possível fazer acusações contra o presidente de um país enquanto seu povo vive sob muita tensão, já que o assunto de Darfur é muito complicado", afirmou Gheit.

O ministro insistiu na necessidade de conseguir segurança e estabilidade no Sudão, e considerou que a paz neste país influirá de forma direta em seus vizinhos.

Em 15 de outubro os juízes da câmara preliminar do TPI pediram "material adicional" à procuradoria antes de decidirem sobre a emissão ou não de uma ordem de detenção contra Bashir. Esta tem até o dia 17 de novembro para apresentar a documentação.

O caso contra Bashir é a segunda investigação do TPI sobre supostos crimes de guerra no Sudão.

Anteriormente, em primeiro de maio de 2007, o TPI emitiu ordens de detenção contra o ministro de Assuntos Humanitários do Sudão, Ahmad Mohammed Harun, e o líder da guerrilha "Janjaweed", Ali Kushayb, acusados de cometerem crimes de guerra e contra a humanidade.

Em 8 de setembro, o presidente rotativo da União Africana e governante da Tanzânia, Jakaya Kikwete, pediu o adiamento das ações judiciais contra Bashir, ao considerar que "o mais importante agora é a paz".

A Liga Árabe, da qual o Sudão também faz parte, também fez um pedido no mesmo sentido. EFE hh/ev/fal

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