Egito tem dia de mobilização geral para derrubar Mubarak

Milhares de manifestantes estão na praça Tahrir, no centro do Cairo, onde protesto espera reunir um milhão de egípcios

iG São Paulo |

Dezenas de milhares de manifestantes estão reunidos no centro do Cairo, capital do Egito, nesta terça-feira, na maior mobilização popular contra o presidente do país, Hosni Mubarak, desde o início da onda de protestos que já dura uma semana.

A manifestação convocada para esta terça-feira espera reunir 1 milhão de egípcios na praça Tahrir (ou praça da "Libertação"), epicentro dos protestos contra o regime de Mubarak, que está no poder há três décadas.

Outra manifestação também foi convocada em Alexandria, a segunda maior cidade do país. Cerca de 50 mil protestam diante da mesquita Qaed Ibahum e da estação de trem localizadas na região central. Os manifestantes agitam bandeiras egípcias e pedem a queda de Mubarak.

A praça está cheia de barracas onde muitos manifestantes passaram a noite, desafiando o toque de recolher vigente desde sexta-feira e ampliado no sábado. Paralelamente às manifestações, um comitê das forças de oposição egípcias, que inclui o Prêmio Nobel da Paz de 2005 Mohamed ElBaradei, rejeitou o início de qualquer negociação com o regime enquanto Mubarak continuar no poder . Ele afirmou esperar que Mubarak renuncie até sexta-feira.

Helicópteros militares sobrevoam a cidade e soldados controlam os pontos de acesso à praça. Na segunda-feira, o Exécito egípcio prometeu não usar a força contra os manifestantes e reconheceu "a legitimidade das demandas da população", prometendo garantir "liberdade de expressão". O comunicado não especifica quais demandas os militares veem como legítimas - mas a principal reivindicação dos manifestantes é a queda do presidente Mubarak.

Segundo informações obtidas pela ONU, a repressão aos protestos, iniciados na terça-feira do dia 25, podem ter deixado 300 mortos , mais do que o dobro do balanço anunciado oficialmente até agora, de 125.

Os organizadores das manifestações também convocaram uma greve geral, iniciada na segunda-feira, em um país que já está praticamente paralisado: a Bolsa e os bancos estão fechados, postos de gasolina estão sem combustível e os caixas eletrônicos estão vazios. Além disso, trens deixaram de funcionar e o último provedor de internet em funcionamento, o Grupo Noor, teve seus serviços interrompidos.

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Após a declaração do Exército sobre "a legitimidade das demandas da população", o governo propôs pela primeira vez dialogar com os manifestantes. O vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, disse que Mubarak lhe pediu que inicie o diálogo com todos os partidos políticos, o qual incluirá temas como reforma legislativa e constitucional - exigências básicas feitas por manifestantes anti-Mubarak. As emendas constitucionais incluem reduzir restrições a candidaturas para a próxima eleição presidencial.

"O presidente me pediu hoje (segunda-feira) para manter imediatamente contatos com as forças políticas para começar um diálogo sobre todas as questões levantadas, e que também envolvam reformas constitucionais e legislativas, de um modo que resultará em claras emendas e num cronograma específico para sua implementação", disse Suleiman em um pronunciamento na TV.

Ainda na segunda-feira, Mubarak deu posse ao novo governo, substituindo um gabinete que havia sido dissolvido como concessão aos protestos antigoverno. O anúncio foi feito após os sindicatos egípcios convocarem uma greve geral no Cairo, Alexandria, Suez e Port Said.

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A Irmandade Muçulmana, o grupo de oposição mais influente do Egito, rejeitou o novo governo e pediu que prossigam as manifestações para a queda do regime. "A Irmandade Muçulmana anuncia sua total recusa à composição do novo governo, que não respeita a vontade do povo", diz o grupo em um comunicado.

Na modificação mais significativa do gabinete, o ministro do Interior - encarregado das forças de segurança internas - foi substituído. Um general de polícia reformado, Mahmoud Wagdi, foi nomeado no lugar de Habib el-Adly, que é amplamente rejeitado pelos manifestantes pela brutalidade mostrada pelas forças de segurança. 

A nova formação ministerial anunciada na televisão estatal incluiu autoridades leais ao regime de Mubarak, mas não mantém vários empresários proeminentes que tiveram postos econômicos e idealizaram as políticas de liberalização econômica das últimas décadas.

Muitos egípcios se ressentem da influência dos milionários magnatas-políticos, que eram aliados próximos do filho do presidente, Gamal Mubarak, muito tempo considerado seu herdeiro político.

No novo gabinete, Mubarak manteve seu ministro da Defesa de longa data, Field Marshal Hussein Tantawi, e o chanceler Ahmed Aboul Gheit. O ministro há mais tempo no gabinete, o titular de Cultura Farouq Hosni, foi substituído por Gaber Asfour, uma figura literária amplamente respeitada.

O mais famoso arqueológo egípcio, Zahi Hawass, foi nomeado para o Ministério de Antiguidades, um novo posto.

Com AP, BBC, Reuters, EFE e AFP

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