Egito se recusa a ceder às pressões do Hamas e do Hezbollah

O Egito se recusou nesta terça-feira a ceder às pressões dos movimentos radicais islâmicos Hamas e Hezbollah para quebrar o bloqueio de Israel abrindo sua fronteira com a Faixa de Gaza.

AFP |

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, avisou que seu país não vai abrir de forma permanente as portas do terminal fronteiriço de Rafah "na ausência da Autoridade Palestina" de Mahmud Abbas.

"Nós, no Egito, não vamos contribuir à divisão (entre a Autoridade e o Hamas) abrindo o terminal de Rafah na ausência da Autoridade Palestina e dos observadores da União Européia e em contradição com o acordo de 2005", declarou.

Desde que o Hamas tomou, à força, o controle da Faixa de Gaza, em junho de 2007, este território se tornou uma pedra no sapato de Mubarak, que teme a instauração de um Estado islâmico na fronteira com o Egito.

No quarto dia da ofensiva israelense contra o Hamas na Faixa de Gaza, Mubarak também não deixou de condenar os bombardeios mortíferos do Exército hebreu.

"Queremos dizer a Israel que suas agressões são rejeitadas, e que devem cessar imediatamente", afirmou o dirigente egípcio, cujo país é a única nação árabe, junto com a Jordânia, a ter concluído um acordo de paz com o Estado hebreu.

"Dizemos a nossos irmãos palestinos: unam-se. Avisamos várias vezes que a rejeição da trégua levaria Israel a atacar Gaza", prosseguiu, numa crítica evidente ao Hamas.

Na véspera de uma reunião extraordinária no Cairo dos chanceleres da Liga Árabe sobre a crise em Gaza, o Egito mostrou que está determinado a contra-atacar seus detratores, entre os quais o Hamas palestino e o Hezbollah libanês.

Domingo, o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, conclamou o povo egípcio a descer "em massa" às ruas para forçar a abertura do terminal de Rafah.

"Avisamos às pessoas que estão tentando se aproveitar politicamente da situação que o sangue dos palestinos tem um preço", acrescentou Mubarak.

Ainda mais explícito, o ministro egípcio das Relações Exteriores, Ahmed Abul Gheit, criticou duramente o líder radical xiita libanês na noite de segunda-feira, afirmando que ele "insultou o povo egípcio".

Lembrando as guerras travadas pelo Egito contra Israel, ele também criticou o guia supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, que denunciara domingo o "silêncio" de alguns dirigentes árabes.

Para Abul Gheit, a meta do Irã é dominar o Oriente Médio, e a República Islâmica está utilizando a causa palestina para alcançar seu objetivo.

"O Irã está manipulando partes árabes para benefício próprio", denunciou.

O chanceler egípcio informou que pretende sugerir durante a reunião de quarta-feira um plano de ação baseado em "um cessar-fogo imediato, um retorno à trégua, a abertura dos pontos de passagem e o estabelecimento de um mecanismo internacional ou árabe para garantir a aplicação completa deste acordo".

"É preciso que haja garantias internacionais, além, talvez, do envio de observadores europeus, árabes e de outras nacionalidades, para garantir a abertura permanente dos pontos de passagem e o respeito por ambas as partes do fim das operações militares e dos disparos de foguetes", destacou.

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