O Egito começou a sacrificar 250.000 porcos como medida de precaução pela gripe suína, provocando o descontentamento dos criadores coptos, pois, segundo a ONU, não há provas de que os animais sejam responsáveis pela propagação da doença respiratória.

"Estamos agora no nível de alerta 5. O assunto já não é animal, e sim humano", afirmou à AFP o porta-voz do ministério da Saúde, Abderrahman Chahin.

"As autoridades aproveitaram esta oportunidade para solucionar a questão da cria selvagem no Egito", acrescentou.

Segundo o ministério da Agricultura, há aproximadamente 250.000 porcos no país, criados por coptos (cristãos do Egito), que trabalham selecionando lixo em bairros cheios de detritos.

O diretor do departamento de doenças infecciosas do ministério da Agricultura, Saber Abdel Aziz Galal, declarou à AFP que o sacrifício de todos os porcos, decidido na quarta, era "uma medida de higiene geral, para transferir esse tipo de cria para verdadeiras granjas".

"Atualmente vivem com cachorros, gatos, ratos, aves e homens, todos na mesma zona com o lixo. Vamos construir novas fazendas em zonas especiais, como na Europa. Dentro de dois anos, os porcos estarão de volta, mas devemos primeiro construir novas granjas".

A operação de sacrifício no Egito levará três semanas a um mês, segundo o ministro da Agricultura, Amin Abaza.

Foi o ministro egípcio da Saúde, Hatem el Gabali, que anunciou na quarta-feira o sacrifício imediato de todos os porcos do país para evitar a aparição da gripe suína no Egito.

"Foi decidido começar de imediato a degola de todos os porcos", declarou o ministro à imprensa, depois de uma reunião com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

As autoridades sanitárias do Egito, onde até o momento não foi detectado nenhum caso animal ou humano de gripe suína, decidiram também lançar uma campanha de sensibilização sobre o vírus e aumentar a produção de máscaras cirúrgicas e de Tamiflu, segundo Gabali.

O ministro, cujo país foi um dos mais afetados pela gripe aviária, estimou que a situação é grave e que seu país leva essa ameaça muito a sério.

Os primeiros casos de gripe suína no Oriente Médio foram confirmado na véspera em Israel, com dois homens que viajaram recentemente ao México.

Vários países, principalmente asiáticos, decidiram interromper a importação de porcos provenientes do México e de certos estados americanos.

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE), os porcos, até provem o contrário, não são os transmissores da epidemia.

Apesar disso, o parlamento egípcio pediu a matança de cerca de 250.000 porcos criados no país como medida preventiva.

A maioria dos 80 milhões de egípcios são muçulmanos, por isso a religião proíbe comer carne de porco. Os cristãos representam entre 6 e 10% da população.

Os proprietários de criadouros de procos estão furiosos com esta decisão.

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