Egito fecha fronteira com Gaza a pedido de Israel

Jorge Fuentelsaz. Passagem de Rafah (Egito), 20 jan (EFE).- As autoridades egípcias, a pedido de Israel, mantêm fechada há 24 horas a fronteira com Gaza, em Rafah, e só permitem o transporte de ajuda humanitária, mas a conta-gotas, segundo pôde comprovar a Agência Efe.

EFE |

Fontes oficiais egípcias de Rafah confirmaram que por volta das 14h locais (10h de Brasília) de ontem, este posto de fronteira, o único de Gaza que não leva a Israel, foi fechado a pedido do Governo israelense, que está retirando suas tropas da faixa.

As ordens da Segurança do Estado do Egito incluíram um grupo de jornalistas, que tiveram que retornar ao lado egípcio.

Israel anunciou no sábado pela noite que interrompia a operação militar contra Gaza que lançou o passado 27 de dezembro, com um saldo de 1.310 palestinos mortos, e no dia seguinte, a facção Hamas, que controla a faixa palestina, anunciou também uma trégua.

A passagem de Rafah, que está fechada há um ano e meio, quando Hamas tomou à força o poder de Gaza, vinha sendo usada desde o fim de semana passado para a passagem, restringida, de estrangeiros, jornalistas e remédios, mas agora ficou praticamente fechada.

Até então, dezenas de jornalistas haviam chegada a este ponto com a intenção de entrar em Gaza, levando em conta as limitações que Israel impôs nas suas fronteiras.

Os últimos que tentaram atravessar a passagem de Rafah foram jornalistas da Indonésia e da Alemanha, que conseguir passar pelo posto egípcio, mas posteriormente, ao se fechar o acesso do lado palestino, precisaram retornar ao Egito.

Os únicos que conseguiram passar a fronteira ao longo de hoje foram os integrantes de uma comissão de políticos e profissionais médicos da França que viajaram a Gaza para conhecer a situação de seus moradores.

Os caminhões com ajuda não podem atravessar o posto limítrofe, é preciso descarregar a carga em um lado da fronteira e voltar a carregar no outro.

Dezenas de jornalistas se mantinham hoje nesta passagem, com a esperança de poder atravessar a fronteira rumo a Gaza.

Entre eles, além deste enviado especial da Agência Efe, se encontravam a jornalista espanhola Laura López Caro, do jornal "ABC" e a fotógrafa americana Holly Pickett, da agência "Atlas Press".

Laura, por exemplo, chegou ao Egito da capital jordaniana Amã e do sul de Israel, após três semanas de tentativas frustrados de entrar em Gaza, e, segundo disse, seu último recurso era fazê-lo através de Rafah.

Ontem, fontes políticas de organismos humanitários disseram que o principal ponto de entrada da assistência humanitária pelo sul de Gaza é o posto de Kerem Shalom, situado cerca de 70 quilômetros ao sul de Rafah e supervisado pelas autoridades israelenses.

Houve denúncias que nesse ponto fronteiriço se cobravam US$ 200 de impostos por cada tonelada de ajuda humanitária, um preço que inclusive supera o valor real de alimentos básicos como o arroz.

Por outra parte, na cidade egípcia de Arish, a cerca de 40 quilômetros de Rafah, começaram a aparecer panfletos nos quais se pede o boicote de 15 produtos que são fabricados por empresas israelenses. EFE jfu-ag/jp

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