Egito espera resposta oficial de Israel a sua iniciativa contra guerra em Gaza

O Egito espera nesta quarta-feira de Israel uma resposta oficial à sua proposta de encerrar a guerra em Gaza, com uma trégua duradoura com o Hamas.

AFP |

O presidente egípcio, Hosni Moubarak, apresentou um plano de fim da crise em três pontos na noite de terça-feira, após uma cúpula com seu colega francês, Nicolas Sarkozy, em Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho.

Mas o presidente israelense, Shimon Peres, em uma primeira reação, disse nesta quarta-feira que as propostas não são suficientes para chegar a um cessar-fogo imediato.

"Apreciamos muito a posição do Egito. Vamos estudar o que o Egito propôs", declarou ao canal britânico Sky News de Jerusalém.

"Temos agora a idéia geral. Devemos olhar os detalhes porque infelizmente isto depende de como vai ser organizado. Mas o que está no papel não é suficiente para mudar a situação", acrescentou.

Israel teve acesso na manhã desta quarta-feira ao pedido egípcio de um corredor humanitário em Gaza para acesso de ajuda, e o exército israelense anunciou que interruptiria os bombardeiros contra Gaza durante três horas em cada dia.

Este curto parêntese humanitário não corresponde no entanto ao apelo egípcio de um cessar imediato das hostilidades.

O plano egípcio prevê "um cessar-fogo imediato por um período limitado", que permita o estabelecimento de corredores humanitários e dêem tempo ao Egito de trabalhar para um cessar-fogo global e definitivo.

Ele pediu também uma reunião de urgência no Egito com israelenses e palestinos, na presença de representantes da União Européia e de outras partes, para obter compromissos e garantias.

Estas garantias devem incluir "a segurança das fronteiras", o que exige Israel, "a abertura de pontos de passagens na fronteira e a suspensão do cerco à Faixa de Gaza, como reivindicam os palestinos".

Ele convidou também as facções palestinas rivais, principalmente o Fatah do presidente palestino Mahmud Abbas e o Hamas, a retomar suas conversas de reconciliação.

Segundo o Elysée, com quem o Egito colaborou estreitamente para a elaboração da iniciativa, pode haver um acordo em quatro ou cinco dias sobre a impermeabilidade das fronteiras, o que pode levar a uma retirada em oito dias do exército israelense da Faixa de Gaza.

Para Nicolas Sarkozy, "a proposta egípcia é importante porque ninguém é humilhado, ninguém perde a cabeça, e que não é um retorno ao "statu quo" porque os egípcios estão dispostos a trabalhar pela segurança nas fronteiras para que os palestinos não disparem mais foguetes de Gaza na direção de Israel.

O alto representante da UE para a política estrangeira, Javier Solana, afirmou esperar que a iniciativa egípcia "dê seus frutos nas próximas horas".

bur-iba/lm

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