Egito e Hamas trocam tiros na fronteira de Gaza e 1 pessoa morre

GAZA (Reuters) - Um soldado egípcio morreu e quatro palestinos ficaram feridos em um tiroteio nesta quarta-feira durante um protesto contra um muro que Cairo está construindo na fronteira com Gaza para evitar o tráfico de bens e armas na região. A violência foi o episódio mais sério entre forças egípcias e do Hamas desde que Cairo começou a construir a barreira de aço subterrânea há um mês. O projeto tem como objetivo barrar a movimentação de armas e bens através dos túneis com destino à Faixa de Gaza.

Reuters |

Israel e Egito mantêm um bloqueio ao território, governado por islâmicos do Hamas que se opõem aos esforços internacionais para se chegar à paz entre israelenses e palestinos.

Armas e uma vasta série de produtos comerciais entram ilegalmente no território por meio de uma rede de túneis que atravessam a fronteira do Egito. Cairo está sob pressão dos EUA e de Israel para conter o tráfico.

No lado egípcio da fronteira, autoridades de segurança afirmaram que um soldado de 21 anos morreu em decorrência dos tiros disparados da parte palestina da cidade dividida de Rafah.

Testemunhas do lado de Gaza da fronteira afirmaram que membros da força policial do Hamas dispararam contra os egípcios.

Centenas de palestinos saíram às ruas para protestar contra o muro. Testemunhas afirmaram que dezenas de manifestantes jogaram pedras nos soldados egípcios, que abriram fogo, ferindo quatro palestinos.

Um oficial militar israelense disse à Reuters na semana passada que o muro egípcio poderia barrar significativamente o tráfico de armas palestino para o território, uma vez finalizado, daqui a alguns meses.

Cairo minimizou o tamanho da escavação na fronteira de 14 quilômetros. O Hamas diz que o "muro da morte" poderia estrangular os túneis que proporcionam a tábua da salvação comercial para palestinos na Faixa de Gaza.

Autoridades egípcias afirmaram que tubos de aço estavam sendo colocados em diversos pontos ao longo da fronteira para formar uma barreira, mas não detalharam o seu propósito.

Os construtores dos túneis afirmam que cerca de 3 mil passagens subterrâneas estavam em atividade antes de Israel lançar, há um ano, uma ofensiva em Gaza durante três semanas; depois do conflito e de ofensivas aéreas israelenses, no entanto, apenas 150 ainda funcionavam.

Israel impôs o bloqueio em 2006 depois que um de seus soldados foi capturado por militantes que usavam os túneis sob a fronteira entre Israel e Gaza. O bloqueio foi endurecido depois que o Hamas tomou o controle da Faixa de Gaza das mãos de forças leais ao movimento Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas.

(Reportagem de Nidal al-Mughrabi em Gaza, de Dan Williams em Jerusalém e de Yusri Mohammed no Egito)

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