Egito e EUA desmentem que egípcio preso seja líder da Al-Qaeda

Ministério do Interior egípcio esclarece que homem detido em aeroporto foi confundido com Saif al-Abel, por quem EUA oferecem US$ 5 milhões

iG São Paulo |

O homem preso nesta quarta-feira no aeroporto do Cairo era procurado pelas autoridades egípcias, mas não é o dirigente da Al-Qaeda Saif al-Adel, informou uma fonte do Ministério do Interior egípcio.

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A fonte indicou que o detido, identificado como Mohammed Ibrahim Makkawi, não é o terrorista que, após a morte de Osama bin Laden em maio, tornou-se provisoriamente seu sucessor até a designação do egípcio Ayman al-Zawahiri para liderar a Al-Qaeda. Washington confirmou que Makkawi não é Saif al-Adel.

O homem, preso no aeroporto quando vinha do Paquistão, nasceu em 1952 na Província de Kafr el-Sheikh, no nordeste do Cairo, e era procurado desde 1994 pelas autoridades egípcias.

A confusão aconteceu porque Saif al-Adel se identifica como Mohammed Ibrahim Makkawi, embora a fonte do Ministério do Interior tenha indicado que o verdadeiro nome do dirigente da Al-Qaeda é Mohammed Salaheldin Zidan.

A fonte do Ministério do Interior não confirmou se o detido pertencia a grupos jihadistas ou se também era acusado de crimes ligados ao terrorismo, embora a maioria dos casos de pessoas procuradas pela Segurança do Estado seja por esse delito.

Horas antes, o ministério, a agência oficial de notícias egípcia Mena e a emissora de televisão estatal informaram que o preso era Saif al-Adel.

O FBI (polícia federal americana) procura Al-Adel por sua participação nos ataques a embaixadas americanas no leste da África na década de 1990; por treinar os somalis que mataram 18 funcionários americanos na capital da Somália, Mogadíscio, em 1993; e de dar instruções a alguns dos 11 sequestradores que participaram dos ataques de 11 de Setembro de 2001.

Al-Adel está na lista de terroristas mais procurados pelo FBI e o governo americano oferece US$ 5 milhões por informações que levem a sua captura.

Infográfico: Veja como a rede terrorista Al-Qaeda atua pelo mundo

Ele tem 50 anos e é ex-tenente coronel do Exército egípcio. Ele viajou para o Afeganistão nos anos 1980 para lutar contra as forças soviéticas, que ocupavam o país, ao lado dos chamados mujahedin (soldados sagrados, em árabe). Em 1987 o Egito o acusou de tentar estabelecer no país um braço militar do grupo extremista islâmico Al-Jihad, e de tentar derrubar o governo.

Depois da invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos, acredita-se que Adel tenha ido para o Irã com Saad Bin Laden, um dos filhos do ex-líder da Al-Qaeda. Eles teriam sido presos e mantidos sob vigilância da Guarda Revolucionária do Irã, mas o país jamais admitiu sua presença em seu solo. De acordo com informações do FBI, Adel teria sido solto e viajado para o norte do Paquistão.

Diversas cartas e comunicados pela internet trazendo o nome de Adel ou seus pseudônimos foram emitidos desde 2002, levando analistas a acreditar que ele ainda estava em contato com líderes da Al-Qaeda na região.

Com EFE, AP e BBC

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