Egito diz que não serão criadas novas instituições para gerir ajuda a Gaza

Sharm el-Sheikh (Egito), 1º mar (EFE).- O ministro de Assuntos Exteriores do Egito, Ahmad Aboul Gheit, afirmou hoje que não serão criadas novas instituições para distribuir os cerca de US$ 3 bilhões que a comunidade internacional deverá doar para a reconstrução de Gaza.

EFE |

Amanhã, Aboul Gheit presidirá a conferência internacional de apoio à economia palestina e à reconstrução da faixa territorial, que acontecerá no balneário egípcio de Sharm el-Sheikh e contará com a presença de representantes de 71 países.

Perguntado sobre a possibilidade de serem criadas novas instituições para a administração da ajuda, Aboul Gheit afirmou à Agência Efe que "serão aplicadas e utilizadas todas as ferramentas européias e internacionais acordadas anteriormente".

"Não há novas ferramentas", disse o ministro egípcio, em clara alusão ao fato de que o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, não intervirá na distribuição dos recursos, já que não é reconhecido por muitos países doadores.

Para ser reconhecido, o Quarteto de Madri - Estados Unidos, Rússia, ONU e União Europeia - exige que o grupo islâmico reconheça o Estado de Israel, renuncie à luta armada e aceite todos os acordos assinados entre palestinos e israelenses.

O Hamas e os nacionalistas do Fatah também já descartaram a possibilidade de ser formada uma comissão conjunta para a administração dos recursos, que serão utilizados para fazer frente às perdas de US$ 1,9 bilhão causadas pelos 22 dias da ofensiva israelense contra a Faixa de Gaza iniciada no fim de dezembro, segundo um relatório da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O chanceler egípcio, em declarações aos jornalistas, também disse que após a conferência que começa amanhã, Israel deveria dar garantias de que não promoverá uma nova campanha militar contra Gaza parecida com a última, que matou cerca de 1,4 mil palestinos e feriu aproximadamente 5,5 mil.

Neste sentido, comentou que a UE também buscou esse compromisso, e lembrou que os esforços do Egito se concentram na reconciliação palestina e na reconstrução de Gaza.

Para conferência de amanhã, que será realizada sob um forte esquema de segurança, já começaram várias delegações, entre elas a dos Estados Unidos.

A reunião de segunda-feira começará às 10h (5h de Brasília), com um discurso do presidente egípcio, Hosni Mubarak, que se desdobrou numa intensa campanha diplomática para conseguir um cessar-fogo entre palestinos e israelenses.

Alguns países, como os EUA, que será representado pela secretária de Estado Hillary Clinton, já anunciaram que oferecerão uma grande ajuda econômica.

Segundo meios de comunicação americanos, a ajuda americana pode chegar a US$ 900 milhões.

Além disso, está previsto que a UE doe US$ 554 milhões à ANP, segundo o alto representante de Política Externa e de Segurança Comum do bloco, Javier Solana.

A ajuda se somará a outras oferecidas previamente pela Arábia Saudita (US$ 1 bilhão), pelo Catar (US$ 250 milhões) e pela Argélia (US$ 200 milhões).

Na primeira das duas sessões de trabalho da conferência, a ANP também deverá apresentar o Plano Nacional Palestino para a Pronta Recuperação e Reconstrução de Gaza 2009-2010.

Segundo o documento, a ofensiva israelense, que tinha como objetivo frear o lançamento de foguetes contra o sul de Israel, destruiu 75% dos campos de cultivo e cerca de 14% das construções da Faixa de Gaza.

Entre as personalidades esperadas na conferência, estão o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o da Liga Árabe, Amre Moussa, além do presidente da França, Nicolas Sarkozy, e do primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

Também deverão marca presença os ministros de Assuntos Exteriores de Espanha, Miguel Ángel Moratinos; Rússia, Serguei Lavrov; República Tcheca, Karel Schwarzenberg; Noruega, Jonas Gahr Stoere, e de vários países árabes.

No entanto, ainda não foi confirmada a participação de representantes do Hamas.

Paralelamente à reunião, para a qual há mais de 700 jornalistas credenciados, acontecerá um encontro do Quarteto de Madri, cujos integrantes darão continuidade aos contatos para propiciar uma reconciliação palestina, especialmente entre os islâmicos do Hamas e os nacionalistas do Fatah. EFE jfu/sc

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