O governo egípcio desmentiu nesta segunda-feira que o grupo de 11 turistas europeus seqüestrado no sul do país tenha sido libertado. Pouco antes, o ministro das Relações Exteriores do Egito, Ahmed Aboul Gheit, havia anunciado que o grupo tinha sido libertado e estaria são e salvo.

Mas um porta-voz do gabinete egípcio disse em seguida que o anúncio havia sido prematuro e que as negociações continuavam.

O grupo, que inclui cinco alemães, cinco italianos e um romeno, foi capturado nas imediações do planalto de Gilf al-Kebir, próximo da fronteira tríplice entre Egito, Líbia e Sudão, na última sexta-feira.

O desencontro de informações não foi o único nesta segunda-feira. No início da tarde, a imprensa israelense havia citado fontes diplomáticas egípcias em Israel que afirmavam que dois cidadãos de Israel integravam o grupo. A informação foi desmentida logo depois.

Histórico
De acordo com o governo egípcio, o seqüestro foi um crime comum, sem motivação política.

Representantes do governo disseram que estar negociando com os seqüestradores, que exigiam o pagamento de um resgate de US$ 6 milhões.

A região de Gilf al-Kebir é famosa por suas pinturas rupestres (pré-históricas) e por suas formações rochosas.

Seqüestros envolvendo turistas são bastante raros no Egito, embora tenham acontecido ataques nos últimos anos.

Cada vez mais turistas estão visitando áreas remotas do Egito em busca de paisagens exuberantes em locais pouco povoados ou desabitados.

A maioria da população egípcia se aglomera às margens do rio Nilo, e as enormes vastidões desertas são consideradas áreas militares - mas podem ser conhecidas por turistas que contratam os serviços de agências credenciadas pelo governo.

O incidente ocorreu uma semana após Israel ter lançado um alerta para que todos os cidadãos do país deixassem a Península do Sinai por questões de segurança, sem dar mais detalhes.

O Sinai, famoso por seus balneários no Mar Vermelho, costuma atrair turistas estrangeiros e tem sido palco de ataques como o de Taba, em 2004, quando três bombas mataram 34 pessoas.

No ano seguinte, uma série de ataques atribuídos a uma organização wahabita (da mesma vertente do islamismo sunita praticado na Arábia Saudita e pela rede Al-Qaeda) no balneário de Sharm el-Sheikh deixou mais de 80 mortos.

Turismo
Em 2006, na cidade de Dahab, também no Sinai, outra série de três bombas com pregos matou 23 pessoas, incluindo estrangeiros e egípcios.

Analistas avaliam que o objetivo desses ataques é desestabilizar a indústria do turismo - que gera cerca de US$ 4 bilhões anualmente, o correspondente a 11% do PIB egípcio - e, conseqüentemente, o governo secular do presidente Hosni Mubarak.

Em novembro de 1997, 63 pessoas, incluindo 59 turistas, foram mortos no templo de Hatchepsut por uma organização radical à qual pertencia Ayman Zawahiri, considerado o número dois da rede Al-Qaeda.

Depois desse incidente, o governo introduziu uma série de medidas para reforçar a segurança dos turistas

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