Cairo, 19 dez, (EFE).- O Egito insistiu hoje que não pode abrir o posto de sua fronteira com a Faixa de Gaza até o retorno da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores egípcio, Hosam Zaki, em declarações à agência de notícias "Mena" responsabilizou indiretamente o grupo palestino Hamas pelo fechamento da passagem por expulsar os supervisores da UE e a ANP dessa região.

"Desde junho de 2007 e após a expulsão dos membros da Autoridade Nacional Palestina que se encontravam na passagem e a retirada dos europeus (observadores da UE), esta parte (ANP) não retornou, o que obriga o Egito a esperar o retorno da legitimidade e da autoridade legítima para administrar a fronteira", disse.

Em junho de 2007, após vários dias de confrontos armados entre os nacionalistas do Fatah e os islamitas do Hamas, estes últimos tomaram o controle da Faixa de Gaza em uma ação que foi condenada pela Autoridade Nacional Palestina, controlada pelo Fatah, e pela comunidade internacional.

Desde então, Gaza é objeto de bloqueio econômico israelense e internacional que causou a escassez dos produtos mais básicos no território palestino.

As declarações do ministro egípcio coincidem com uma chamada do grupo xiita libanês Hisbolá a todos os muçulmanos para que se manifestem após a oração do meio-dia de hoje em protesto pelo bloqueio.

O secretário-geral do Hisbolá, Hassan Nasrallah, pediu no início desta semana ao presidente egípcio, Hosni Mubarak, que desse um passo histórico e reabra o posto de Rafah, única fronteira que Gaza mantém com um país árabe.

Além disso, no Irã, várias manifestações em Teerã condenaram a postura egípcia de manter a fronteira fechada.

Em janeiro, centenas de milhares de palestinos atravessaram a fronteira depois de ela ser sobrevoada por grupos armados e, durante quase duas semanas, se abasteceram no Egito de todo tipo de bens de consumo. EFE nq/jp

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.