Egito condena à prisão 25 membros da oposição

O maior partido político de oposição no Egito, a Irmandade Muçulmana (IM), teve 25 de seus integrantes condenados à prisão em um tribunal militar nos arredores da capital do país, Cairo, afirmou nesta segunda-feira a agência oficial de notícias do país. Entre os condenados está a terceira pessoa mais importante na hierarquia da Irmandade, Khayrat al-Shater.

BBC Brasil |

Ele pegará sete anos de cadeia. Outros 15 acusados foram absolvidos.

"As acusações contra os integrantes da Irmandade Muçulmana incluem lavagem de dinheiro, pertencer a uma organização proibida e ajudar a financiá-la e administrá-la, além de agir contra a lei ao tentar causar desordem pública e recrutar jovens integrantes, trabalhando para difundir a ideologia extremista da organização entre universitários ", afirma a nota oficial.

Reação
Em entrevista à BBC Brasil, um porta-voz da organização, Essam Elarian, criticou o veredicto. Segundo ele, o grupo deve recorrer das sentenças.

"Foi um julgamento político, os acusados não cometeram crimes, as penas foram muito duras", disse ele. "Vamos apelar da decisão."
O partido Irmandade Muçulmana é proibido, embora seja tradicionalmente tolerado no intrincado cenário político egípcio. Os candidatos do grupo geralmente concorrem como independentes.

No entanto, a organização acusa o governo de intensificar a repressão após as eleições de 2005, quando representantes do partido (concorrendo como independentes) conquistaram 20% dos assentos no Parlamento, um resultado considerado surpreendente.

No início do mês, a IM havia pedido para que a população boicotasse as eleições locais em protesto contra a ação da Justiça Eleitoral egípcia, que proibiu que milhares de candidatos do partido disputassem o pleito.

"A repressão neste nível está acontecendo por causa do grande apoio popular à Irmandade Muçulmana", afirma Elarian.

"O governo está nervoso. Os esforços para resolver problemas sociais e econômicos fracassaram, as pessoas sofrem até para comprar pão", afirma ele.

Recentemente, os conflitos ocorridos em filas para a compra de pão subsidiado pelo governo (vendido a preços populares e consumidos por mais de 50% da população) deixaram pelo menos quatro mortos.

Outros confrontos ocorreram no início de abril, em greves ocorridas no norte do Egito, contra o aumento no custo de vida.

O movimento sunita Irmandade Islâmica foi fundado no Egito em 1928 e se espalhou por outros países do mundo árabe.

Um de seus princípios mais importantes é estabelecer o livro sagrado do Alcorão como a principal referência para regular a vida da sociedade.

Nos últimos anos, o grupo tem renunciado publicamente o uso de meios violentos para alcançar seus objetivos, embora críticos afirmem que a IM serve de inspiração ideológica para vários movimentos armados.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG