Egípcios votam em eleição boicotada por oposição

Eleitores egípcios começaram a votar nesta terça-feira em eleições municipais que estão sendo boicotadas pelo principal partido de oposição do país, a Irmandade Muçulmana (IM). Estão em jogo 52 mil assentos em assembléias locais.

BBC Brasil |

Estima-se que o governista Partido Democrático Nacional, do presidente Hosni Mubarak, obtenha mais de 90% das vagas que estão sendo disputadas.

O pleito municipal cresceu em importância depois que foram realizadas mudanças constitucionais, em 2005, exigindo o apoio de pelo menos 140 representantes locais para o lançamento de qualquer candidatura presidencial.

"Não é uma eleição real, os candidatos são selecionados pelo governo e pela polícia. Não queremos dar a este regime uma declaração de legitimidade participando das eleições", disse à BBC, Essam Elerian, dirigente da IM.

"Por isso pedimos que a população não vá às urnas."
Repressão
A Irmandade Muçulmana afirma que tentou a nomeação de mais de 10 mil candidatos, mas apenas 21 deles foram aprovados pela comissão eleitoral.

Oficialmente, estes candidatos sairiam como independentes, já que o partido Irmandade Muçulmana é proibido, embora seja tolerado, no intrincado cenário político egípcio.

No entanto, mesmo esta tolerância parece estar diminuindo recentemente.

"Mais de 800 de nossos integrantes foram presos nas últimas semanas", afirma Elerian.

A recente detenção de centenas de integrantes da IM foi condenada pela ONG sediada nos Estados Unidos Human Rights Watch, que afirmou que o ocorrido levanta dúvidas sobre a legitimidade do processo eleitoral egípcio.

Mesmo o governo americano, que no passado já havia manifestado suspeitas em relação à Irmandade Muçulmana por causa de suas supostas relações ideológicas com grupos considerados 'terroristas' pela Casa Branca, declarou, no mês passado, estar 'preocupado' com onda de detenções.

O site em inglês do partido também vem saindo do ar freqüentemente. O grupo acusa o governo de ser o responsável pelos problemas técnicos.

Apoio
O vice-presidente da organização, Mohammed Habib, afirma que o governo intensificou a repressão contra a IM para evitar que se repita um resultado como o das eleições parlamentares de 2005, quando representantes do partido (concorrendo como independentes) conquistaram 20% dos assentos.

"Eles (o governo) entraram em pânico quando viram os resultados. Em seguida, mudaram a estratégia para marginalizar e sabotar a Irmandade Muçulmana", afirma ele.

No entanto, dentro do Egito existem aqueles que apóiam as medidas do governo.

O chefe do centro Al-Ahram de estudos políticos, Abdel Moneim Said, afirma que "a Irmandade Muçulmana é uma organização ilegal que deseja estabelecer um Estado religioso no Egito, não é parte do jogo democrático".

O movimento sunita Imandade Islâmica foi fundado no Egito em 1928 e se espalhou por outros países do mundo árabe. Um de seus princípios mais importantes é estabelecer o livro sagrado do Alcorão como a principal referência para regular a vida da sociedade.

Nos últimos anos, o grupo tem evitado o uso de meios violentos para alcançar seus objetivos.

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