Egípcios mantêm protestos, enquanto El Baradei prepara retorno

Ex-diretor da AIEA planeja voltar ao país em apoio a manifestantes que pedem renúncia de Mubarak; protestos deixaram 6 mortos

iG São Paulo |

Os ativistas que tentam depor o presidente do Egito, Hosni Mubarak, realizam nesta quinta-feira seu terceiro dia de protestos na capital do país, Cairo, e em Suez. Apesar de perseguidos por policiais, eles também vêm convocando novas manifestações para sexta-feira.

O terceiro dia de marchas acontece enquanto o influente político Mohamed El Baradei, que vive em Viena e defende reformas no país, planeja regressar ao Egito na noite desta quinta-feira. Sua chegada pode estimular os manifestantes, que não têm um líder evidente, embora muitos ativistas o critiquem por suas prolongadas ausências nos últimos meses.

Pelo menos cinco manifestantes e um policial morreram em confrontos desde o início dos distúrbios, na terça-feira, enquanto pelo menos mil manifestantes foram detidos.

No centro do Cairo, manifestantes queimaram pneus e apedrejaram policiais. Em Suez, a leste da capital, um prédio público foi incendiado.

Os protestos da quarta-feira se estenderam até a madrugada, quando a polícia continuava perseguindo pequenos grupos reunidos no Cairo e em Suez.

O ministro do Interior egípcio, Habib al Adli, odiado pelos manifestantes, subestimou os incidentes. "O sistema do Egito não é marginal ou frágil. Somos um Estado grande, com uma administração com apoio popular. Milhões vão decidir o futuro desta nação, não as manifestações, mesmo que com milhares (de participantes)", disse ele ao jornal kuaitiano Al Rai. "Nosso país é estável e não se abala com tais ações."

El Baradei, ganhador do Nobel da Paz por seu trabalho à frente da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão da ONU), lançou no ano passado, após deixar esse cargo, uma campanha por reformas no Egito. Mas muitos ativistas se queixam de que ele deveria passar mais tempo nas ruas, e menos no exterior.

"Estou voltando ao Egito para apoiar as ruas, porque realmente não há escolha. Vamos lá com esse número enorme de pessoas, e esperamos que as coisas não fiquem feias, mas por enquanto o regime não parece ter entendido o recado", disse ele ao site americano The Daily Beast.

ElBaradei disse esperar amplas demonstrações em todo o país na sexta-feira e afirmou que chegou o momento para que Mubarak deixe o poder. "Ele serviu o país por 30 anos e está na hora de se aposentar," disse à Reuters o vencedor do prêmio Nobel da Paz, pouco antes de partir de Viena para o Cairo."Acho que ele declarará que não concorrerá mais (à presidência)," disse.

"As pessoas romperam com a cultura do medo e uma vez que você rompe com a cultura do medo não há como voltar," afirmou. "Estarei lá com eles durante os protestos, mas não sou a pessoa que vai liderar (as manifestações) nas ruas... meu trabalho aqui é administrar as mudanças politicamente," disse ElBaradei à Reuters.

*Com Reuters, AP e AFP

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