Egípcios desafiam proibição a protestos e enfrentam polícia

Pelo menos 700 manifestantes foram detidos nas cidades do Cairo e de Suez em dois dias de violentas manifestações no Egito

iG São Paulo |

Manifestantes contrários ao governo do Egito desafiaram as autoridades que proibiram protestos no país e voltaram às ruas de Cairo e Suez nesta quarta-feira. Em dois dias de violentas manifestações, 700  foram detidos.

Desde terça-feira, de acordo com a AFP, ao menos seis morreram em manifestações para exigir reformas políticas e econômicas, além da renúncia do presidente Hosni Mubarak, 82 anos, no poder há três décadas. No início da manhã de quarta-feira, o Ministério do Interior emitiu um comunicado informando que toda "reunião de protesto, passeata ou manifestação" estava proibida, e que qualquer pessoa que participasse de "ações não autorizadas" seria presa e processada.

AFP
No Cairo, policiais tentam deter manifestantes que pedem reformas e saída do presidente Hosni Mubarak
Mesmo assim, grupos opositores convocaram um segundo dia de protestos no centro de Cairo. Apesar do forte policiamento na capital egípcia, os manifestantes começaram a se reunir em frente à Suprema Corte e ao Sindicato de Jornalistas por volta das 15h30 no horário local (11h30 de Brasília).

Cerca de uma hora depois os confrontos se intensificaram: os participantes do protesto bloquearam a via principal e as forças de segurança responderam com gás lacrimogêneo e balas de borracha. Para fugir, muitos manifestantes correram para a estação mais próxima do metrô, Nasser. A multidão causou danos à porta da estação, assim como a alguns veículos estacionados no local. Em uma avenida próxima, policiais foram atacados com pedras e garrafas vazias.

Manifestantes egípcios jogaram coquetéis molotov contra um prédio do governo no porto de Suez, o que provocou um incêndio em um dos setores do edifício, segundo testemunhas. Dezenas entraram em confronto com as forças de segurança em frente à chancelaria egípcia nesta quarta-feira, empurrando o portão que dá acesso ao complexo ministerial, no Cairo, antes de ser alvo de bombas de gás lacrimogêneo

"O povo quer mudança e liberdade" e "Fora Hosni Mubarak", foram algumas das frases mais gritadas pelos manifestantes, que resistiram em várias ocasiões com os policiais, que rodeavam a entrada do edifício e impediam que outras pessoas se unissem à concentração.

Os grupos opositores do Egito buscaram inspiração na revolta popular na Tunísia, que conseguiu derrubar o líder Zine El Abidine Ben Ali. Os egípcios se queixam dos mesmos problemas que levaram à rebelião tunisiana: alta nos preços de alimentos, pobreza, desemprego e a repressão política. Nos protestos de terça-feira no Egito, muitos gritavam o nome "Tunísia."

Violência

Entre as quatro vítimas fatais dos protestos há um policial, Ahmed Abdelaziz, atingido na cabeça por uma pedra durante os protestos no Cairo. As três outras vítimas fatais eram civis que morreram na cidade de Suez. Elas teriam sido atingidas por balas de borracha.

Em Alexandria (norte), os manifestantes viraram um veículo policial e rasgaram uma foto de Mubarak, de 82 anos, e um de seus filhos, Gamal, que muitos egípcios acreditam estar sendo preparado para suceder o presidente.

Os Estados Unidos, aliados de Mubarak e importantes fornecedores de ajuda para o Egito, pediram moderação de todas as partes.

"Nossa avaliação é que o governo egípcio é estável e busca formas de responder às necessidades e interesses legítimos do povo egípcio," disse a secretária americana de Estado, Hillary Clinton, a jornalistas em Washington.

*Com EFE e Reuters

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