Egípcio é indicado como líder 'interino' da Al-Qaeda, diz CNN

Segundo rede de TV americana, Saif al-Adel por muito tempo desempenhou importante papel na rede terrorista

iG São Paulo |

AP
Foto sem data divulgada pelo FBI mostra Saif al-Adel, um dos terroristas mais procurados pelos EUA
Um egípcio que foi um oficial das Forças Especiais foi indicado líder "interino" da rede terrorista Al-Qaeda depois da morte de Osama bin Laden , de acordo com uma fonte com amplo conhecimento sobre o funcionamento interno do grupo, informa nesta terça-feira a rede de TV CNN. Na lista do FBI, Adel é o sétimo mais procurado , sendo oferecida por ele uma recompensa de US$ 5 milhões.

O líder interino da Al-Qaeda é Saif al-Adel, apontado pelos EUA como um dos principais líderes do grupo e que por muito tempo desempenhou um importante papel na organização, de acordo com Noman Benotman, que teve contato com a liderança da Al-Qaeda por mais de duas décadas. Benotman já foi líder do Grupo de Combate Islâmico Líbio, organização militante que costumava se alinhar à Al-Qaeda, mas em anos recentes renunciou à ideologia da rede terrorista.

Benotman disse à CNN que, com base em suas comunicações pessoais com militantes e discussões em fóruns jihadistas (que defendem a Guerra Santa contra os EUA), Adel foi indicado para ocupar o cargo interinamente pelo fato de a comunidade jihadista global ter ficado inquieta em dias recentes com a falta de um anúncio formal de um sucessor de Bin Laden.

Entretanto, ele disse, a escolha de um egípcio pode não repercutir bem com alguns membros sauditas e iemenitas da Al-Qaeda, que acreditam que um sucessor de Bin Laden deveria vir da Península Arábica, uma região que é sagrada para todos os muçulmanos. Bin Laden era de uma rica família saudita.

O sucessor presumido de Bin Laden é seu vice de longa data, o também egípcio Ayman al-Zawahiri. Benotman, que por muito tempo é uma fonte de informação confiável sobre a Al-Qaeda, disse que a indicação temporária de Adel pode ser uma forma de a liderança avaliar a reação à nomeação de alguém fora da Península Arábica como líder do grupo.

Perfil

Saif al-Adel é o nome de guerra do egípcio Muhamad Ibrahim Makkawi, que serviu como coronel do Exército do Egito. Ele viajou nos anos 1980 ao Afeganistão para combater as forças soviéticas com os mujahideen (combatentes islâmicos). Adel já foi chefe de segurança de Bin Laden e assumiu várias funções do comandante militar Mohammed Atef depois que este foi morto por um bombardeio americano em novembro de 2001. 

Ele é suspeito de envolvimento nos ataques a bomba a embaixadas americanas no leste da África em 1998, de treinar combatentes somalis que mataram 18 funcionários americanos em Mogadíscio, em 1993, e de instruir alguns dos sequestradores dos aviões do 11 de Setembro de 2001. Em 1987, o Egito acusou Adel de tentar estabelecer um braço militar do grupo militante Jihad Islâmico Egípcio e de tentar derrubar o governo.

Depois da invasão do Afeganistão, acredita-se que Adel tenha fugido ao Irã juntamente com Suleiman Abu Ghaith e Saad Bin Laden, filho do líder morto da Al-Qaeda. Eles foram supostamente mantidos em prisão domiciliar pela Guarda Revolucionária Islâmica iraniana. O governo de Teerã nunca reconheceu a presença dos militantes no país.

Diversas cartas e comunicados pela internet trazendo o nome de Adel ou seus pseudônimos foram emitidos desde 2002, levando analistas a acreditar que ele ainda está em contato com líderes da Al-Qaeda na região. Relatos recentes dão conta que Adel pode ter sido solto e seguido para o norte do Paquistão, juntamente com Saad Bin Laden.

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