Eficácia das sondas do avião acidentado entre o Rio e Paris é questionada

Paris, 17 dez (EFE).- O Escritório de Investigação e Análise para a Aviação Civil (BEA) da França, encarregado pelas investigações sobre o acidente com o voo 447 da Air France que caiu em 1º de junho quando viajava do Rio de Janeiro para Paris com 228 pessoas a bordo, recomendou hoje a mudança dos critérios de certificação dos sensores de velocidade pitot dos aviões.

EFE |

As causas do acidente seguem sem ser esclarecidas, assinalou o BEA em seu segundo relatório sobre o acidente com o Airbus A330, que caiu no oceano Atlântico.

"Os teste destinados à validação das sondas pitot não parecem adaptados aos voos de grande altitude", aponta o relatório apresentado hoje em Paris.

É a primeira vez que os responsáveis pela investigação colocam em dúvida a confiabilidade das sondas pitot, fabricadas pela companhia francesa Thales.

Depois do acidente entre o Rio e Paris, a Airbus já havia recomendado a todas as companhias substituir os equipamentos das aeronaves das famílias A330/A340, embora a recomendação não fosse de caráter obrigatório.

"O BEA recomenda à Agência Europeia de Segurança Aérea (AESA) que realize estudos para determinar com precisão a composição das massas de nuvens de grande altitude e, junto com as outras autoridades de regulamentação, avaliar os critérios de certificação a partir dos resultados obtidos", concluem os analistas.

Um mês após o acidente, a Airbus recomendou por "precaução" que as sondas de Thales fossem substituídas por sensores de velocidade fabricados pela Goodrich.

A orientação do construtor europeu Airbus, filial de EADS, foi seguida pela AESA e pelo Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos Estados Unidos (NTSB, na sigla em inglês).

Os investigadores do BEA entendem que os "critérios de certificação não são representativos nas condições reais de grandes altitudes, por exemplo, em matéria de temperaturas".

Segundo os analistas, nas massas de nuvens que atravessam os aviões quando voam em grande altitude se formam cristais de gelo de um tamanho indeterminado cujas consequências sobre os equipamentos como as sondas pitot são "difíceis de avaliar".

Os sensores - que a companhia Air France decidiu substituir em 9 de junho - foram alvos de críticas de diferentes sindicatos de pilotos.

A investigação, entretanto, segue sem determinar o que provocou a perda do controle do avião no meio do Atlântico, embora o BEA sustente que o aparelho não sofreu "despressurização em voo" e assinala que "provavelmente" estava inteiro antes do impacto com a superfície do mar.

Isto se deve, em parte, ao fato de os investigadores não terem conseguido recuperar as caixas-pretas, os equipamentos que registram os incidentes de voo.

O rastreamento das caixas-pretas será retomado em fevereiro de 2010, depois que o período inicial de busca fracassou.

Em um primeiro momento, o objetivo foi tentar localizar as caixas por meio dos sinais sonoros que os equipamentos emitem com a ajuda de submarinos franceses, até que a autonomia das caixas-pretas acabou e os sinais cessaram.

Os investigadores continuaram depois os trabalhos de busca com outros dispositivos, tentando localizar o equipamento que tem o tamanho de uma caixa de sapatos, em uma área de 17 mil quilômetros quadrados e mais de 3 mil metros de profundidade, cujo relevo submarino é bastante acidentado.

Segundo vários meios de comunicação, o BEA repassa a tarefa de busca agora a uma empresa especializada em operações submarinas na região. EFE jaf/dm

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