A França vai reduzir drasticamente os efetivos de seu exército que perderá um sexto de seus homens em alguns anos, acentuando o serviço de informação, como parte de uma revisão da política de defesa desejada pelo presidente Nicolas Sarkozy.

As novas orientações estão contidas num Livro Branco, com os principais pontos revelados hoje e que devem ser detalhados pelo chefe de Estado.

O Livro Branco, o primeiro a associar defesa e segurança, deverá desembocar até o outono na lei de programação militar 2009-2014 voltada para levar em conta a vontade demonstrada por Sarkozy de reduzir as despesas públicas.

No total, 54.000 dos 320.000 postos atuais da defesa, militares e civis, deverão ser suprimidos nos próximos seis ou sete anos - cortes estes considerados de uma extensão sem precedente desde o fim do serviço militar obrigatório em 2001.

As reduções defendidas pelo ministro da Defesa Hervé Morin, foram motivo de grandes preocupações nas cidades dependentes economicamente da presença de quartéis.

Em artigo a ser publicado na edição do jornal Le Monde que estará nas bancas nesta terça-feira, o ministro desmente qualquer tipo de "degradação" do exército francês. "É preciso continuar a adaptar nossa defesa a um mundo que muda", nosso "serviço militar deve se adaptar à globalização e às novas ameaças", assegura.

Sarkozy já havia anunciado no dia 21 de março a redução de um terço do componente aerotransportado da força de dissuasão nuclear francesa.

Esta revisão traduz a nova avaliação das medidas potenciais que, pela primeira vez, afasta um conflito maior na Europa mas inclui cyberataques, terrorismo, pandemias, crises sanitárias ou catástrofes climáticas.

Neste contexto, a informação é privilegiada tornando-se uma prioridade estratégica: o crédito dedicado aos satélites militares deverão ser dobrados até 2020.

O chefe de Estado terá em suas mãos os serviços de informação com a coordenação assegurada, até então, pelo primeiro-ministro. Ele presidirá um Conselho nacional de informação do qual participarão os ministros com pastas relacionadas e chefes do serviço. Será criado um cargo de "coordenador nacional da informação".

"De uma certa forma, pode-se falar de +homeland security+ à francesa", explica Jean-Pierre Maulny, vice-diretor do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), em referência à aglutinação da segurança interna colocada em prática nos Estados Unidos após os atentados de 11 de setembro de 2001.

"Pela primeira vez, também, ocupa-se simultaneamente das questões de defesa e de segurança interna", assegurou Bruno Tertrais, um especialista que participou da redação do Livro Branco que autoriza, também, uma integração mais significativa da França no comando integrado da Otan.

Da mesma forma, o centro de gravidade da presença militar francesa no exterior deverá se deslocar da África negra para um arco que vai do Atlântico ao Mediterrâneo, ao Golfo e ao oceano Índico. Este movimento se traduzirá no fechamento de bases francesas no exterior.

A oposição criticou a concentração de poderes nas mãos do presidente.

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