Efeitos práticos de viagens ao exterior levam tempo, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira em Pequim que os efeitos práticos de suas viagens ao exterior levam tempo e negou que tenha saído da China sem os resultados que se esperavam em relação ao comércio entre os dois países. Ah, se eu pudesse viajar e cada vez que eu voltasse para casa levasse um pacote de coisas compradas e de coisas vendidas.

BBC Brasil |

Mas não é assim", afirmou Lula ao final da visita de três dias ao país.

O governo brasileiro havia anunciado que um dos principais objetivos da visita de Lula era a ampliação do leque das exportações brasileiras à China e a promoção de produtos mais sofisticados, com maior valor agregado.

Hoje a grande parte das exportações brasileiras à China é composta de matérias primas, como soja, minério de ferro ou petróleo.

Embraer
Uma das negociações que o governo brasileiro esperava ver resolvida durante a viagem e que poderia aumentar significativamente a proporção de produtos industrializados nas exportações à China era o destravamento de um contrato para a venda de aviões da Embraer a uma companhia aérea local.

A empresa brasileira tem um contrato de US$ 2 bilhões para a venda de 50 aviões EMB-190 à companhia aérea Kunpeng desde 2007, mas apenas cinco aeronaves foram entregues, supostamente pela falta de licenças de importação concedidas pelas autoridades chinesas.

"Falei com o (presidente chinês) Hu Jintao sobre os aviões da Embraer", disse Lula. O pedido brasileiro, porém, não foi suficiente para solucionar o problema. "Em função da crise eles deram uma suspendida (na compra), como todos os países do mundo suspenderam determinadas coisas", disse Lula.

Carnes
O principal acordo no campo comercial anunciado como uma vitória pelo governo brasileiro foi em relação à exportação de carnes de aves à China. Apesar de as barreiras à venda do produto aos chineses terem sido supostamente eliminadas em fevereiro, as licenças de importação não vinham sendo concedidas.

O maior desejo das autoridades brasileiras, porém, era a abertura do mercado chinês à exportação de carnes de porco, já que o país asiático é o maior consumidor mundial do produto. Porém não houve acordo para isso, por conta das contrapartidas exigidas pelas autoridades chinesas.

Mesmo com um resultado aparentemente negativo, Lula disse esperar que os contatos estabelecidos no nível político e empresarial durante a visita comecem a dar frutos em breve.

"O que é importante é que os empresários brasileiros que participaram de reuniões aqui com empresários chineses, as outras delegações que vão ao Brasil e as outras delegações que virão para cá vão concluindo outros acordos ao longo do ano", afirmou o presidente.

"E não tenho nenhuma dúvida de que a relação entre a China e o Brasil só tende a crescer", disse. Para Lula, o potencial das relações comerciais entre os dois países "é quase infinita", por conta das necessidades e dos potenciais de ambos os países.

Investimentos
O principal anúncio positivo da visita de Lula à China acabou sendo o acordo para um empréstimo de US$ 10 bilhões do CDB (China Development Bank) à Petrobras e a venda casada de 200 mil barris diários de petróleo à estatal chinesa Sinopec ao longo de dez anos.

"Os chineses estão ávidos para participar da questão do pré-sal. Iniciamos uma discussão com empréstimo de US$ 10 bilhões, que não é pouca coisa, num momento em que o crédito está escasso no mundo", afirmou Lula.

O presidente também destacou os acordos para a abertura de agências do Banco do Brasil e do BNDES na China e de uma agência do CDB no Brasil, que devem facilitar o financiamento a potenciais investimentos entre os países.

"A relação entre China e Brasil é muito dinâmica e vai avançando na medida em que a gente vai estabelecendo uma relação de confiança, uma relação política, uma relação cultural", disse Lula.

"Volto pro Brasil com a sensação de que China e Brasil vão construir ainda muita coisa extraordinária. Há um oceano Pacífico e Atlântico de oportunidades", afirmou.

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