O megainvestidor húngaro naturalizado americano George Soros disse que a fase aguda da crise global de crédito pode ter passado, mas que os efeitos sobre a economia real ainda estão por vir. Em entrevista ao editor de negócios da BBC Robert Peston, Soros disse que a bolha financeira dos últimos 25 anos pode estar chegando ao fim e que o super-boom pós-Segunda Guerra Mundial também pode estar acabando.

Ele disse acreditar em uma desaceleração "mais longa e severa" da economia americana do que a maioria das pessoas espera. Na opinião do investidor, os mercados de ações, por exemplo, ainda estão subestimando a severidade da crise, especialmente nos Estados Unidos.

Soros afirmou também que a Grã-Bretanha está em condições piores do que os Estados Unidos para enfrentar a crise por ter um grande setor financeiro e por ter passado por uma das valorizações mais acentuadas no mercado imobiliário.

Bancos centrais
O megainvestidor disse que o atual mandato da maior parte dos bancos centrais - com o foco principal no combate à inflação - dá pouca margem para reduzir ainda mais as taxas de juros para ajudar as economias a se recuperar.

Ele disse ainda acreditar que os bancos centrais são culpados em parte pela atual crise de crédito por causa da política de tentar resgatar o setor financeiro quando os problemas que resultaram do excesso de empréstimos começaram a ser sentidos.

Soros afirmou que os bancos centrais deveriam tentar conter "bolhas" como o boom nos mercados imobiliários para evitar que saiam do controle e defendeu a aplicação de novas regras para reduzir o excesso de concessão de crédito na economia.

De acordo com Soros, as medidas poderiam, por exemplo, forçar os bancos a economizar mais para lidar com os tempos de crise.

Petróleo
Em relação à escalada no preço do petróleo, o investidor disse ver poucas chances de isso mudar até que haja uma grande desaceleração nas economias mais ricas.

Na opinião dele, os altos preços do petróleo estão sendo causados por um consumo maior em países em desenvolvimento, como a China, onde os custos com energia são subsidiados e, portanto, menos sensíveis às variações nos preços.

A credibilidade de Soros vem, em parte, do fato de que ele está disposto a investir o próprio dinheiro no que acredita.

O fundo de investimento privado que ele administra teve uma rentabilidade de 34% no ano passado ao apostar que a crise de crédito era mais severa que o esperado.

Soros ficou famoso ao supostamente lucrar U$ 1 bilhão em setembro de 1992 ao apostar corretamente que a moeda britânica seria desvalorizada e deixaria o sistema europeu de conversão.

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