'Efeito Clegg' perde força, mas continua decisivo no Reino Unido

Joaquín Rábago. Londres, 7 mai (EFE).

EFE |

Joaquín Rábago. Londres, 7 mai (EFE).- O chamado 'efeito Clegg', em alusão ao candidato liberal-democrata a primeiro-ministro do Reino Unido, Nick Clegg, não foi tão forte como esperado nas eleições desta quinta-feira, mas seu partido será decisivo para a formação do Governo diante da falta de uma clara maioria parlamentar. As pesquisas que apontavam para um empate técnico em número de votos - o que não significa uma diferença apertada em relação às cadeiras do Parlamento - entre trabalhistas e liberal-democratas demonstraram não ser fiéis ao que de fato aconteceu. O partido de Clegg não só ficou em terceiro lugar, a grande distância dos trabalhistas, como inclusive perdeu cadeiras na comparação com a legislatura anterior. No entanto, os conservadores também não alcançaram a esperada maioria absoluta que teria permitido à rainha Elizabeth encarregar hoje mesmo ao líder do partido, David Cameron, a formação de um novo Governo. Com o atual desenrolar dos eventos e de acordo com a Constituição não-escrita do Reino Unido, o ainda primeiro-ministro, o trabalhista Gordon Brown, político com fama de tenaz e obstinado, pode tentar se manter no poder com ajuda alheia. Assim, mesmo antes do anúncio dos primeiros resultados eleitorais ontem à noite, seu secretário de Estado para Negócios, Inovação e Habilidades, Peter Mandelson, insistia em uma oportunidade para o Governo interino e acrescentava que "tem que haver reforma eleitoral após esta votação". Em um claro afago aos liberal-democratas, Mandelson disse também que o sistema de voto uninominal majoritário "está em seus últimos dias". Mas na manhã de hoje, o próprio Clegg disse que corresponde ao Partido Conservador, antes dos trabalhistas, formar um Governo "pensando no interesse nacional" por ter sido o mais votado e o que mais cadeiras obteve na Câmara dos Comuns. Ao mesmo tempo, Clegg afirmou que o atual sistema eleitoral do Reino Unido "está quebrado" e "é preciso uma reforma autêntica para regulá-lo". Sua parcela eleitoral dá força para impor essa reforma em troca do apoio liberal-democrata a um partido como o Conservador, que já demonstrou rejeitar a proposta. Os liberal-democratas confiavam no voto dos jovens e dos insatisfeitos com 13 anos de trabalhismo para conseguir cadeiras suficientes para ditar suas condições. No entanto, não foi assim. Na última parte da campanha, trabalhistas e conservadores, com o apoio de boa parte da imprensa, assustaram o eleitorado com os supostos perigos de um Parlamento instável. Os liberal-democratas se viram acuados por ambos os lados sem que a curiosidade e o interesse despertados pela 'telegenia' de Clegg, um político antes praticamente desconhecido, cujo brilhante desempenho no primeiro debate transmitido pela televisão na história do Reino Unido não serviu para muita coisa. Claramente sua defesa pública de uma anistia para quase um milhão de imigrantes ilegais não foi exatamente popular em um país no qual cada vez mais vozes vão contra os imigrantes ilegais de fora da União Europeia, mas mesmo contra os que vêm de forma legalizada dos países do Leste Europeu. Também não contribuíram para um bom resultado nas urnas as ambições liberal-democratas de intensificar a integração do Reino Unido à Europa em um país majoritariamente oposto a isso e as manifestações do partido a favor do uso do euro no momento em que um país usuário da moeda única, a Grécia, passa por uma grave crise. Tanto trabalhistas como conservadores sustentaram diversas vezes durante a campanha eleitoral que, graças à libra esterlina, o Reino Unido, com um déficit público de 12% do Produto Interno Bruto (PIB) e uma dívida equivalente a 62%, pôde evitar uma crise como a da Grécia. O grande dilema enfrentado agora por Clegg e pelos liberal-democratas é saber se apoiam um futuro Governo conservador, contrário a qualquer reforma eleitoral, ou se respaldam um primeiro-ministro desgastado, do qual a maior parte do eleitorado não gosta, o que pode custar muitos votos no próximo pleito. EFE jr/bba

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG