Edward Kennedy não esconde maus tempos em livro de memórias

Washington, 3 set (EFE).- Edward Kennedy, em seu livro de memórias que será publicado neste mês, classifica como imperdoável sua conduta após um acidente de automóvel em 1969 no qual morreu sua acompanhante, informou hoje o jornal The New York Times.

EFE |

A publicação afirma que obteve uma cópia do livro "True Compass" (Bússola Verdadeira, em tradução livre), de 532 páginas, que começará a ser vendido em 14 de setembro, apenas duas semanas depois da morte do senador de Massachusetts, aos 77 anos, em 25 de agosto.

Segundo o diário, em seu livro, Kennedy escreveu que os eventos que rodearam o acidente em Chappaquiddick Island, no qual morreu Mary Jo Kopechne, podem ter abreviado a vida de seu pai, Joseph P.

Kennedy, que estava gravemente doente na época.

Em meados de 1969, Kennedy saiu de uma festa com a jovem Kopechne, dirigindo o automóvel que acabou caindo em uma ponte. O senador fugiu do local sem notificar às autoridades e, horas depois, Kopechne morreu afogada dentro do carro.

Kennedy reconheceu em suas memórias que estava confuso, assustado e que o pânico o dominou nos instantes posteriores à tragédia, e admitiu ter "tomado decisões horríveis" em Chappaquiddick.

O livro não esconde fatos como o acidente, que manchou a reputação de Kennedy, nem outros aspectos negativos da vida do senador, como a bebedeira notória em 1991 na Flórida, ou os anos de alcoolismo e aventuras sexuais que vieram depois de seu divórcio de Joan, em 1982.

Ao mesmo tempo, o livro "oferece detalhes de sua relação com o pai, os irmãos e os filhos, que completam o retrato de um homem que teve uma vida exposta ao público e, no entanto, sempre manteve um certo grau de mistério", analisou o "New York Times".

Kennedy escreveu que, em 1984, decidiu não buscar a candidatura presidencial, depois de ouvir os argumentos apaixonados de seus filhos, que temiam por sua vida.

Os irmãos de Edward, o presidente John F. Kennedy e o senador Robert F. Kennedy, foram assassinados, o primeiro em 1963 e o segundo em 1968.

Edward Kennedy escreveu que sempre aceitou as conclusões de uma comissão presidencial, segundo a qual foi um só indivíduo, Lee Harvey Oswald, o responsável pela morte do presidente Kennedy.

O assassinato de Robert o deixou desiludido por muito tempo, tornando impossível seu retorno ao Senado. No livro, Edward Kennedy escreveu que mesmo depois de retornar à Câmara Alta sentia dificuldade para se concentrar no trabalho, e que passava dias navegando em seu veleiro pelo oceano. EFE jab/dm-an

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