Quando candidato, Barack Obama quebrou sua promessa de usar financiamento público como forma de frear grandes gastos na campanha presidencial e com isso deixou outra questão em aberto: a necessidade de revisar o sistema de financiamento de campanha e sua comissão federal que regularmente prejudica, ao invés de reforçar, a lei eleitoral. O presidente Obama ainda precisa cumprir este objetivo.

Agora os senadores John McCain e Russ Feingold, os dois campeões da reforma financeira, colocaram a indicação do escolhido de Obama para a Comissão de Eleições Federal (FEC, na sigla em inglês) em pausa. Antes de permitir que um pleito seja realizado, eles dizem que precisam saber quem são os indicados do presidente para duas outras cadeiras vagas para ver o que ele pretende fazer no  órgão.

Acreditamos que este tipo de bloqueio deve ser usado com parcimônia, principalmente para se ganhar tempo para resolver dúvidas sobre a qualificação dos indicados. A escolha de Obama, o advogado sindicalista John Sullivan, parece ser adequada, apesar de haver quem questione sua dedicação à lei eleitoral. Mas simpatizamos com a frustração dos dois senadores e seu objetivo final.

O FEC está "atolado em obstrucionismo executivo", eles notaram. Ao longo do ano passado, os membros republicanos da comissão repetidas vezes manobraram para conseguir empates de 3 a 3 nos votos para bloquear a execução de leis de campanha e até mesmo rever penalidades já impostas a ambos os partidos.

Obama foi o primeiro candidato presidencial a conseguir se livrar do limite de gastos em uma eleição geral desde que eles foram impostos desde Watergate. Como resultado, ele conseguiu arrecadar milhões de dólares em doações particulares a mais do que o candidato republicano, McCain, que aceitou o limite público de US$84 milhões.

Tendo danificado um sistema já muito prejudicado, Obama agora tem a óbvia responsabilidade de consertá-lo. Ele pode começar por garantir que todos seus indicados para o FEC estejam realmente comprometidos à execução da lei eleitoral. Além disso, ele também deve pressionar o Congresso para que aumente as fórmulas de arrecadação públicas que ficaram obsoletas diante dos custos de uma eleição moderna. De outra forma, cada candidato futuro irá escolher os benefícios muito mais lucrativos do financiamento privado.

Com o FEC prejudicado e a Suprema Corte propensa a rever a restrição aos gastos políticos da lei por imposição de McCain-Feingold, a causa da reforma responsável da lei eleitoral volta a ser o centro das atenções da nação. Obama tem promessas a cumprir.

Leia mais sobre promessas de campanha de Barack Obama

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.