Editora-executiva da News International irá depor sobre grampos

Convocados formalmente, Rupert e James Murdoch não podem ser forçados a ir ao Parlamento por serem cidadãos americanos

iG São Paulo |

A editora-executiva da News International, Rebekah Brooks , concordou nesta quinta-feira em prestar depoimento a uma comissão parlamentar britânica que investiga o escândalo de escutas ilegais envolvendo o tabloide "News of the World". O jornal, que deixou de circular no domingo , fazia parte da News International, braço britânico da News Corporation , empresa de Rupert Murdoch.

Nesta quinta-feira, o magnata e seu filho, James, presidente da News International, foram convocados formalmente a depor na mesma comissão, após terem recusado um convite inicial feito na terça-feira com a justificativa de que não estariam disponíveis na data marcada para a sessão no Parlamento (19 de julho).

AP
Rebekah Brooks, editora-executiva da News International (07/07)

Rupert Murdoch afirmou que, apesar disso, estava "completamente preparado" para colaborar com as investigações sobre o caso. James Murdoch ofereceu datas alternativas, sendo 10 de agosto a mais próxima.

Em resposta, os parlamentares britânicos emitiram as convocações formais e reforçaram, em nota, sua convicção de que os três devem prestar esclarecimentos sobre o "comportamento" da News International e sobre declaração feitas por Brooks e Andy Coulson (ex-editor-chefe do "News of the World" e ex-porta-voz do premiê David Cameron) durante audiência semelhante em 2003, que agora "aparentam" ser falsas.

No entanto, as autoridades britânicas não podem forçar Rupert e James Murdoch a comparecer ao Parlamento porque ambos possuem cidadania americana.

A pressão para que o magnata preste esclarecimentos sobre o caso vem crescendo. Nesta quinta-feira, o vice-primeiro-ministro britânico, Nick Clegg, disse que Rupert e James Murdoch aceitarão prestar depoimento se tiverem "algum senso de responsabilidade".

Nova prisão

Também nesta quinta-feira, um homem de 60 anos foi preso em conexão com o escândalo dos grampos.

De acordo com a BBC, o homem é Neil Wallis, ex-editor executivo do "News of The World". Ele foi preso pela manhã e levado para interrogatório em uma delegacia do Oeste de Londres, sob suspeita de conspirar para interceptar comunicações.

Wallis é a nona pessoa a ser presa desde que a Polícia Metropolitana de Londres lançou uma investigação sobre as escutas ilegais, em janeiro.

Jean Charles

A Scotland Yard anunciou nesta quinta-feira que um primo do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica em um metrô de Londres em 2005, também foi alvo de escutas ilegais do "News of the World".

Após a descoberta, familiares, ativistas e brasileiros que vivem na Inglaterra passaram seus dados telefônicos para a polícia checar se houve grampos.

Jean Charles foi assassinado ao ser confundido com um terrorista na estação de Stockwell. As investigações foram concluídas sem que ninguém fosse punido.

O jornal "News of the World" foi fechado devido a acusações de que teria grampeado telefones de familiares de vítimas de sequestro, dos atentados de 7 de julho de 2005 , de famílias de soldados britânicos mortos em combate , e do ex-premiê britânico Gordon Brown , entre outras quatro mil pessoas.

Diante da intensa pressão de políticos, da imprensa e da opinião pública, Rupert Murdoch desistiu de adquirir a totalidade das ações da operadora de TV por assinatura BSkyB - da qual seu grupo possui 39%.

Com AP e BBC

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