Uma editora japonesa teve que pedir desculpas a muçulmanos em todo o mundo pelas ofensas causadas por uma de suas animações que mostraria os seguidores religiosos como terroristas. A produção As Bizarras Aventuras Jojo - uma animação, um game e um livro baseados em um personagem de quadrinhos - causou uma série de protestos em fóruns online, além da condenação da maior autoridade religiosa sunita, Al Azhar, no Cairo.

A animação mostra Jojo e seus amigos em aventuras pelo mundo. Em um dos episódios, o inimigo de Jojo, Dio, aparece no Egito lendo um livro que parece o Alcorão, antes de pedir o assassinato de Jojo e seus amigos.

Segundo a editora, os quadrinhos originais não continham a cena. Seus funcionários, por engano, acrescentaram o texto em árabe ao livro que Dio lia para parecer que ele estava em algum país árabe, não se dando conta de que se tratava do Alcorão.

A empresa disse que agora está revendo todos os episódios e já descobriu outros elementos inapropriados que foram acrescentados ao original, como a introdução de prédios que parecem mesquitas usados para ilustrar cenas de luta.

O líder do Comitê Fatwa em Al Azhar, no Egito, condenou o desenho como um insulto ao Islã porque mostra muçulmanos como terroristas, acrescentando que seus produtores serão considerados inimigos do Islã.

O fato de As Aventuras Bizarras de Jojo estar sendo discutido em websites islâmicos radicais é um indicativo da popularidade mundial da animação. Há informações de que uma versão legendada em árabe estaria circulando pela Internet.

Um integrante de um website jihadista expressou surpresa que até japoneses estejam mostrando muçulmanos como maus e terroristas.

Mas em blogs japoneses há muitas críticas à editora por ter se desculpado.

Em 1991, o tradutor japonês do livro Versos Satânicos, de Salman Rushdie - condenado à morte por radicais islâmicos - foi morto a facadas perto de Tóquio.

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