O ex-presidente da URSS, Mikhail Gorbachev, voltou a pedir a renúncia das atuais lideranças após inúmeras denúncias de fraudes

O editor de um importante semanário russo disse que foi demitido depois da publicação de uma foto em que aparecia um xingamento dirigido ao primeiro-ministro Vladimir Putin, e que estava incluída em uma ampla reportagem sobre as suspeitas de fraude na eleição parlamentar de 4 de dezembro.

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Putin participa de reunião em Moscou, na Rússia (8/12)
AP
Putin participa de reunião em Moscou, na Rússia (8/12)

A demissão de Maxim Kovalsky da revista Kommersant-Vlast parece sinalizar que Putin ainda exerce enorme influência sobre a imprensa russa, apesar dos grandes protestos dos últimos dias contra a sua hegemonia política e do declínio na votação do seu partido , o Rússia Unida, na eleição parlamentar.

Kovalsky disse à Reuters que provavelmente o Kremlin pressionou o "publisher" Alisher Usmanov pela sua saída, e que não se arrepende da edição que circulou na segunda-feira. "Agi de foram absolutamente consciente e acredito ter feito a coisa certa". afirmou.

Uma porta-voz da empresa Metalloinvest, de propriedade de Usmanov, confirmou a demissão de Kovalsky e do presidente da editora responsável pela revista, Andrei Galiyev.

A porta-voz enviou à Reuters uma reportagem do site gazeta.ru, também pertencente a Usmanov, em que o empresário declara que materiais jornalísticos recém-publicados na Kommersant-Vlast violavam a ética jornalística e "beiram o vandalismo barato".

O texto não diz quais são esses materiais, e acrescenta que Usmanov - o bilionário sócio do clube londrino de futebol Arsenal - cogita processar Kovalsky.

Gorbachev pede novas eleições

O último presidente da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), Mikhail Gorbachev, avaliou que as autoridades russas devem renunciar após as inúmeras denúncias de fraude. "O melhor passo que poderia ser adotado pelas autoridades seria que apresentassem sua renúncia", afirmou Gorbachev em declarações à emissora de rádio "Eco de Moscou".

Gorbachev criticou a reação das autoridades diante das reivindicações apresentadas pela oposição no grande protesto de 10 de dezembro em Moscou.

"Vejo como as autoridades reagiram. Eles querem desacelerar o processo e dilatá-lo. Agora há eleições, depois festas natalinas, eles pensam que talvez não aconteça nada", apontou. "Não podemos permitir que não aconteça nada. Defendo e defenderei, e o mais importante, digo na frente de todos, que devemos anular as eleições", acrescentou.

O político social-democrata denunciou que as autoridades atuais já tiraram do povo as eleições diretas dos governadores, a opção "contra todos" nas cédulas eleitorais e o voto por circunscrições.

"Se as autoridades vão tratar a sociedade dessa forma, se vão mobilizar, manobrar e organizar todos seus recursos, a sociedade, então, deve ser capaz de responder a isso", afirmou o ex-presidente soviético.

Em sua opinião, "é preciso dizer claramente que se (as autoridades) não vão apresentar uma proposta sobre como solucionar o principal dos problemas, anular as eleições, terá que buscar outras saídas".

"Tudo isto já me dá náuseas. Se em 12 dias não for proposta uma solução ao problema da anulação das eleições, estaremos em nosso direito de dizer ao povo que o faça por si próprio. E há muitos meios", disse.

Gorbachev, que nos últimos meses criticou Putin pelo retrocesso das liberdades na Rússia, fez um apelo às autoridades na semana passada para que anulem os resultados das eleições parlamentares e convoquem uma nova votação.

"Os dirigentes do país devem admitir que ocorreram inúmeras falsificações e fraudes, e que os resultados não refletem a vontade dos eleitores", disse Gorbachev à agência Interfax.

A oposição acusa o partido governista Rússia Unida, liderado por Putin, de falsificar os resultados eleitorais para obter a maioria absoluta na Duma, a Câmara dos Deputados.

Com Reuters e EFE

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