Editor de jornal britânico é criticado por atacar Lei de Direitos Humanos

Londres, 11 nov (EFE).- Um grupo de importantes advogados britânicos criticou o editor-chefe do jornal conservador Daily Mail, Paul Dacre, por atacar a Lei de Direitos Humanos e um juiz que a usou repetidamente para defender a intimidade dos famosos frente à intromissão da imprensa.

EFE |

Dacre, um dos jornalistas mais influentes do Reino Unido, criticou no domingo, em discurso diante da Sociedade de Editores de jornais, uma série de veredictos emitidos por um juiz do Alto Tribunal britânico favoráveis, todos eles, à proteção da privacidade.

Lorde Lester, que une sua condição de membro do Partido Liberal-Democrata da Câmara dos Lordes à de destacado advogado especializado em direitos humanos, classificou de "totalmente equivocadas" as críticas do diretor do "Daily Mail" ao juiz David Eady, informou hoje o jornal "The Guardian".

"O tema foi debatido amplamente quando se apresentou ao Parlamento a lei de direitos humanos. Alguns periódicos pretendiam adquirir total imunidade frente ao artigo 8º do Convênio Europeu de Direitos Humanos, que garante o direito à intimidade pessoal".

"Eu próprio defendi os meios de comunicação recorrendo à convenção européia a favor da liberdade de imprensa e é um erro que Paul Dacre e seus colegas ataquem agora uma lei que protege a eles e a seus leitores", acrescentou o juiz.

Seus comentários coincidem com a notícia de que o periódico sensacionalista "The Sun" e o "News of the World" aceitaram indenizar a atriz Sienna Miller em 35 mil libras (aproximadamente 43 mil euros) por violarem sua intimidade em uma série de artigos e fotografias.

Miller recorreu aos tribunais para denunciar a contínua perseguição de que era alvo por parte de paparazzi sem escrúpulos e processou por fustigação uma conhecida agência fotográfica especializada em perseguir famosos.

No último mês de julho, o juiz Eady decidiu que o "News of the World" violara a intimidade do presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), Max Mosley, ao publicar fotos nas quais ele era visto participando de uma orgia de caráter sadomasoquista, decisão judicial criticada também por Dacre.

Charles Falconer, que ocupou a mais alta categoria entre os juízes britânicos, declarou à "BBC" que "a sociedade avalia a intimidade (...), pois há coisas na vida que deveriam ser privadas".

Geoffrey Robertson, importante advogado de direitos humanos, ressaltou que embora a lei de direitos humanos tenha sido aprovada pelo Parlamento britânico há dez anos, "infelizmente não deram aulas (sobre seu conteúdo) aos diretores de jornais, que a interpretam mal desde então".

Segundo Robertson, frutos daquela lei são dois direitos aos quais os diretores de jornais dão grande importância: o direito do jornalista a proteger suas fontes e o direito de se valer do interesse público para justificar a publicação de uma notícia. EFE jr/fh/fal

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