Edifícios na capital chilena correm risco de desabar após tremor

Por Fabián Andrés Cambero SANTIAGO (Reuters) - Apesar de a maioria dos edifícios da capital chilena ter resistido ao terremoto do fim de semana, os habitantes de Santiago seguem em alerta ante o perigo de colapso de algumas construções em razão dos danos estruturais.

Reuters |

O movimento telúrico de magnitude 8,8, que remexeu a região centro-sul do país, produziu danos em algumas vias da capital e golpeou principalmente as edificações com poucos anos de construção, gerando dúvidas sobre o cumprimento das rigorosas normas anti-sísmicas do país.

"Esperei cinco anos por ele (para que ficasse pronto). Tive a paciência de esperar", comentou à Reuters Richard Torres, cujo edifício no bairro de classe média Ñuñoa foi esvaziado em razão do colapso de algumas fundações.

A construção cercada, recente e ainda com o aviso de "vende-se", ameaça desabar, afetando edifícios contíguos e diversos locais comerciais.

"A empresa diz que não quer demoli-lo, que vai restaurá-lo, mas os andares de cima estão fraturados. Então, com qualquer terremoto, vão cair", disse Erika Díaz, que também foi desalojada de sua residência, situada na frente da construção sob risco.

O governo instou as pessoas afetadas a cobrarem seus seguros hipotecários em caso de terremoto, enquanto alguns bancos começaram a publicar avisos com linhas telefônicas para assessorar a cobrança desses serviços.

"É incrível que edifícios de 80 anos tenham suportado o terremoto e que uns com poucos anos estejam nessa situação", comentou em uma rádio local Marcela Urrieta, vizinha de um edifício com graves danos no centro da cidade.

Casos similares afetam edifícios situados em diversos setores da capital chilena, que recupera paulatinamente a normalidade após o tremor, que deixou ao menos 800 mortos no centro e no sul do Chile.

CONSTRUTORAS NA MIRA

Nos últimos anos, a capital chilena tem vivido um "boom" de construções imobiliárias ao calor do forte desempenho da economia que, no entanto, entrou em recessão no ano passado devido a crise global.

As construções condenadas estão em distintos "bairros emergentes" da cidade, que são promovidos à classe média, e alguns até mesmo ainda tinham apartamentos à venda.

Os vizinhos ameaçam processar as construtoras dos projetos pelo que classificam de evidente descumprimento das normas de um país com alta atividade sísmica.

Porém, as construtoras afirmam que os projetos cumprem os parâmetros legais e em alguns casos as falhas podem ser reparadas.

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