Economista alemão pede desculpas por comparar executivos a judeus em 1929

Berlim, 27 out (EFE).- O presidente do instituto de pesquisa econômica Ifo, Hans-Werner Sinn, pediu hoje desculpas à comunidade judaica por sua comparação da perseguição sofrida por judeus, após a quebra econômica de 1929, com as atuais críticas aos diretores de empresa.

EFE |

"De nenhuma maneira pretendi comparar o destino dos judeus após 1933 com a situação atual dos diretores", indicou Sinn, em carta aberta enviada à presidente do Conselho Central dos Judeus da Alemanha, Charlotte Knobloch.

Tal comparação seria "absurda", prossegue o economista, segundo o qual o único que pretendeu era chamar a atenção sobre as "autênticas raízes" da atual crise, que ao que parece não são os diretores, mas "os erros do sistema financeiro".

Sinn reagiu assim à onda de críticas suscitada pelas declarações publicadas hoje pelo jornal alemão "Der Tagesspiegel" e que foram antecipadas ontem, onde afirmava que se os judeus foram os "bodes expiatórios" da crise de 1929 agora o eram os gerentes.

"Em cada crise se buscam culpados, cabeças de turco", afirmou Sinn ao jornal.

As declarações do economista provocaram os protestos tanto da comunidade judaica como do Governo da chanceler Angela Merkel.

O porta-voz governamental, Ulrich Wilhelm, convidou ao economista a "retratar-se" do que qualificou de "comparação intolerável e incorreta".

Por parte do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, seu secretário-geral, Stephan J. Kramer, exigiu desculpas imediatas e incondicionais de Sinn.

De acordo com Kramer, a comparação é "degradante, absurda e completamente inoportuna" e afirmou que as declarações do economista são um "insulto às vítimas" da perseguição.

"Não sabia que aos gerentes se lhes colasse, se lhes matasse ou se lhes encerrasse em campos de concentração", acrescenta. EFE gc-nvm/jp

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