Economia mundial precisa de uma supervisão maior da taxa de câmbio (Unctad)

A economia mundial necessita de supervisão internacional voltada para coordenar as taxas de câmbio, a fim de evitar um novo caos monetário, estimou nesta quinta-feira a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).

AFP |

Segundo o documento The Global Economic Crisis: Systemic Failures and Multilateral Remedies ou "A Crise Econômica Global: Falhas Sistêmicas e Remédios Multilaterais", os ajustes nas taxas de câmbio dos países devem estar sujeitos a uma fiscalização multilateral; e essas taxas não devem ser reguladas apenas pelo mercado.

"É preciso absolutamente estabilizar as taxas de câmbio através de uma intervenção direta e coordenada dos governos, combinada com uma supervisão multilateral", explica a agência da ONU.

O relatório recomenda que mudanças nas taxas de câmbio nominais devem ser indexadas às diferenças nos índices de inflação entre os países que negociam entre si.

Assim, segundo o documento, as taxas de câmbio reais permanecerão constantes, permitindo uma competição justa entre os produtores de diferentes países e evitando os riscos potenciais da especulação.

As demais moedas seriam ligadas a uma moeda ou a um grupo, o que deixaria as empresas "em igualdade de condições", explicou o economista-chefe da Unctaed, Heiner Flassbeck, durante entrevista à imprensa.

"Atualmente, elas não o são, pelo que enfrentamos um caos monetário", acrescentou.

As severas flutuações atuais da taxa de câmbio golpearam dolorosamente os rendimentos de empresas, ameaçando também economias inteiras nos países do Leste - a exemplo de nações como Estônia, Lituânia, Romênia e Bulgária, preocupa-se a Unctad.

O documento denuncia a "confiança cega na eficácia dos mercados financeiros desregulamentados" afirmando que a especulação monetária contribuiu para intensificar o colapso de várias moedas com a crise financeira.

Diz também que a desregulamentação do sistema financeiro internacional fez com que especuladores se aproveitassem das diferentes políticas monetárias dos países para conseguir lucros rápidos.

Alguns chegaram a pegar dinheiro emprestado em nações com taxas de juros baixas e investissem em outros com taxas altas, o que gerava lucros em curto prazo e inflava artificialmente o valor das moedas dos países onde o dinheiro era investido. Com a crise, essa bolha estourou, seguindo-se a desvalorização de diversas moedas.

A agência da ONU insiste na necessidade de restabelecer o papel do Estado na economia e de pôr em prática "remédios multilaterais" entre eles uma reforma do sistema financeiro internacional.

"Arranjos multilaterais ou mesmo globais de taxas de câmbio são urgentemente necessários para manter a estabilidade global e para evitar o colapso do sistema de comércio global", diz o documento.

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